O Guesa

A edição atualizada de O Guesa, poema épico em doze cantos e um epílogo, de Sousândrade, foi realizada pela pesquisadora Luiza Lobo, com revisão técnica de Jomar Moraes, e o apoio da Academia Maranhense de Letras. Apresenta, pela primeira vez, o texto estabelecido em português atual e de acordo com a reforma ortográfica de 2009. As quatro edições anteriores do poema completo eram fac-similares. Sem dúvida o poema se tornará muito mais acessível, conforme aponta o acadêmico Antonio Carlos Secchin na quarta capa, quando afirma que “é dos livros mais citados e menos lidos do Romantismo brasileiro”. Após cinco anos de trabalho, Luiza Lobo apresenta um amplo leque de notas e referências, introdução e glossário contendo neologismos e palavras raras, inclusive estrangeiras. Estas não se limitam ao inglês, ao francês e ao espanhol, mas se estendem ao tupi, quíchua, holandês e ao grego. Também foi restabelecida a separação entre as estrofes, que tinha sido abolida na edição de Londres do Guesa, que serviu de base a este trabalho de amplo fôlego. O Guesa já foi tido por pré-modernista por Augusto e Haroldo de Campos, que o compararam ao imagismo de Pound. Afirma Benjamin Abdala Júnior que a literatura é feita de impactos, descontinuidades, subconjuntos, que variam com os tempos. Se algo sobrevive em Sousândrade, desde o romantismo, é sua capacidade de impactar o leitor. Não só pelo estilo “metafísico-existencial”, nas palavras dos Campos, como, também, segundo acentua a pesquisadora, na sua antevisão de uma América unida através do ideal então revolucionário de uma república democrática. E, principalmente, pela concepção de um indianismo que ultrapassasse as fronteiras do nacional, apontando um universalismo cultural sem fronteiras, hoje considerado fundamental para um mundo sustentável.

SEGREDOS PÚBLICOS OS BLOGS DE MULHERES NO BRASIL

Já se foi o tempo em que as moças desabafavam suas angústias num ‘querido diário’ escrito com caligrafia caprichada e que não deveria ser lido por mais ninguém. O amigo íntimo imaginário, feito de papel e tinta, deu lugar aos blogs, que podem ser lidos e comentados pelo mundo inteiro, sem que sua autoria seja revelada. Trata-se de um fenômeno recente, mas que já começa a alterar a construção da identidade feminina, pois estabelece uma nova forma de inserção social e joga por terra teorias consagradas de alguns dos maiores pensadores da comunicação. Em ‘Segredos públicos’, a pesquisadora, professora e escritora Luiza Lobo avalia essa revolução com profundidade, embasamento e clareza incomuns. Antes, as autoras dos diários se comunicavam consigo próprias. Escrever era isolar-se em seu mundo particular. Luiza Lobo mostra que desapareceu a divisão claramente definida entre o público e o privado, como era feita por Habermas. Também se rompeu o esquema de processo comunicativo linear e pessoal proposto por Jakobson. As vozes agora se cruzam simultâneas e em todas as direções. Os blogs se impõem como uma produção pessoal e coletiva, sem que haja contradição nisso. Como conseqüência, as mulheres têm hoje nos blogs um nível de liberdade muito maior que o experimentado por Anaïs Nin, Colette ou Marguerite Duras. Com a possibilidade de se expor em anonimato, elas incorporam a gíria, o idioleto e o baixo calão, expressando-se de modo mais catártico e profundo. A autora não defende nem condena os blogs, apenas os estuda e procura explicá-los.

Terras Proibidas

O século XIX no Brasil foi o século do café. Foi ele que deu origem a poderosos clãs estabelecidos no interior fluminense, na região conhecida como Vale do Paraíba do Sul. Mas, em meio ao poderio cafeeiro, fortemente dependente da mão de obra escrava, sopravam os ventos da modernidade, da onda abolicionista, da morte do Império e do nascimento da República. Terras proibidas – A saga do café no Vale do Paraíba do Sul, da escritora e professora da área de Letras da UFRJ Luiza Lobo, é justamente um mergulho na trajetória de ascensão, apogeu e decadência das grandes fazendas do ciclo do café. O romance conta a saga da família de Francisco José Teixeira Leite, o barão de Vassouras. Empreendedor nato, construiu um império cafeeiro e um clã poderoso e influente, auxiliando no crescimento das cidades do Vale do Paraíba, particularmente Vassouras, e adquirindo grande importância política. No entanto, sua família estava fadada a sofrer com tragédias e mortes. Ele testemunha todas elas. Ancorada em extensa pesquisa histórica, Luiza Lobo usa a família do Vale do Paraíba do Sul – também conhecido como Terras Proibidas, região a qual ninguém podia ter acesso para que fosse impedido o contrabando de ouro encontrado em Minas Gerais – para ilustrar as intensas mudanças pelas quais o Brasil passou na segunda metade do século XIX.