Revista Mulheres e Literatura – vol. 6 – 2002



"…toda negação de amor gera a morte, não importa que amor, não importa que proibição."





“…toda negação de amor gera a morte, não importa que amor, não importa que proibição.”

Claudia Sabbag Ozawa

O título deste estudo é parte da fala de Mamãe, personagem da obra O quarto fechado, de Lya Luft. Sozinha no quarto, durante o velório de Camilo, Mamãe questiona várias situações vividas por todos da casa até aquele momento. Encontra-se assim, presa a reflexões, quando se lembra do acidente que deixou paraplégica sua filha Ella. Ella e Martim, enteado de Mamãe, apaixonaram-se e decidiram fugir quando Mamãe impediu o romance dos dois. Para Mamãe, eles estavam cometendo incesto. Mesmo não sendo irmãos naturais, foram criados juntos, cresceram como irmãos.

Ella esperava por Martim, quando escorregou de uma cerca e caiu, batendo a cabeça e selando o destino dos três daí por diante. Mamãe pensa em tudo isto, quando lhe ocorreu: “Talvez fosse castigo, todas as dores, todos os conflitos e dramas da família fossem castigo para ela, Mamãe: porque impedira o amor de Martim e Ella. Negar o amor era negar a vida; toda negação do amor gera a morte, não importa que amor, não importa que proibição”.

Apesar de, aparentemente, referir-se só ao desenlace entre Ella e Martim, na verdade a citação de Mamãe é o fio condutor de toda obra de Lya Luft. Durante todo o livro, os dramas, sofrimentos e frustrações dos personagens se relacionam a alguma forma particular de negação do amor.

Estruturada, basicamente, em torno das posturas assumidas pelas personagens femininas, a obra é a busca de uma identidade da mulher. Transgressoras, desafiadoras, elas caminham por uma estrada ainda tortuosa, repleta de obstáculos. Masculinos, femininos, externos e internos. Sociais, religiosos, amorosos. A cada página, há pegadas desta luta, muitas vezes, dolorosa, sofrida, mesmo triste. Inúmeros ranços de uma história marcada por preconceitos, privações, estereótipos.

Mas a mulher agora deixa de mirar somente para a família, o marido, os filhos, a sociedade, a igreja, para voltar os olhos para si mesma. E procurar os contornos de seu rosto. Construi-los por si mesma. Formar a imagem do espelho. E, neste sentido, todos os focos que partem das personagens femininas dirigem-se para uma única direção, para um mesmo espelho comum.

E os seus trajetos, vindos de onde vierem, de posições isoladas diante da vida, são movidos por uma mesma busca: o amor. Em todos os graus, em todas as esferas do convívio pessoal e social. É o amor que determina o desenvolvimento da narrativa. Ou antes, é a negação do amor que gera todos os conflitos e tensões presentes em toda obra.

Renata, Clara, Carolina, Mamãe, Ella, tudo gira em torno de suas atitudes e decisões frente à vida. A maneira como se relacionam com o amor e a ausência dele. Obrigadas a optar entre o passado e o futuro, o que esperam delas e o que elas esperam de si mesmas e do mundo, o amor é o elo.

A trajetória de Renata é marcada por transgressões e opções. Sempre a abdicar a fim de conquistar. Sempre incompleta, sempre a tecer fios invisíveis que atem o quebra-cabeça de amar. “Não estou sempre trocando uma coisa por outra porque meu coração decide que essa outra é melhor, e a ela é preciso ser leal?”

Na infância, na juventude, já Renata estabelecia os limites de seu amor e os sacrifícios de suas escolhas. “Renata tocava piano enquanto outras meninas brincavam com bonecas; atravessava a cidade, pálida, agarrada às partituras, quando outras moças iam com namorados ao parque.” Renata deixara de amar as belezas e alegrias de uma infância e as descobertas de sua juventude em favor da arte. Seus desejos, sua sexualidade, nunca ocuparam espaço nos limites que se impunha, dedicando-se unicamente à música. “Nunca se fizera concessões, nunca cedera ao corpo, que exigia seus direitos.”

Mas a busca frenética por respostas que somente a música poderia lhe dar, a ordem íntima que só a harmonia das notas asseguravam, um dia também recebeu aviso de morte. Pelo amor de um homem, abdicou do amor à música. Agora, teria que dar atenção a Martim e ele queria exclusividade, exigia que os seus sentimentos, seus sonhos, sua vida se voltassem para ele. “Renata foi um desafio, e Martim quis também a sua alma. Até a arte dela lhe pertenceria…”.

Como a música, sozinha, já não era capaz de dar a Renata tudo o que ela precisava, os sons já não correspondiam a toda sede de paz e harmonia que ela buscava, toda a luta por se estruturar e se descobrir, e se entender, Renata apegou-se a Martim como um náufrago.

“Como uma borboleta abandona o casulo, pensara poder trocar sua identidade pela de mulher de Martim. (…) Eu me atirei nos braços dele para fugir da solidão e foi tudo uma fraude, ocorreu-lhe. Fugi de mim mesma.”

Negar amor a si mesma, anular-se é decretar a morte a sua própria identidade. E isto provocou-lhe ainda mais tristeza e insegurança.

Poderia recorrer novamente à música, mas por Martim, acreditou conseguir viver dos prazeres do corpo, antes renegados. Renata satisfez-se enquanto a paixão era nova e parecia sustentar todo o resto. Com o tempo, atender ao corpo, mas sacrificar a alma, já não era possível. “Odiava-se quando tinha prazer com ele; queria punir-se pelas alegrias do corpo que desejava o dele com tamanho ardor enquanto a alma sofria, solitária.”

Negar o amor à alma era gerar a morte de sua parte sensível, artista. Renata negou seu amor à música e a todo o seu estilo próprio de vida para se entregar à vida doméstica com Martim. No entanto, ela não era, como diziam, uma “mulher normal”; os afazeres da casa não a interessavam, não despertavam nela nenhum prazer. Ao contrário, achava-a vulgar.

E logo a ausência do alimento da alma se fez presente:

“…a nova vida não lhe trazia encantos: era desajeitada, despreparada para as coisas domésticas (…) Mamãe e Clara tentavam ser suas amigas: mas, embora convivessem bem, Renata também não as compreendia: como podiam gastar tão tempo e energia com comida, roupa, empregados, pequenos interesses de quem se conforma com uma existência mesquinha? (…) a saudade da carreira, a incapacidade e o desinteresse pelas coisas domésticas interferiam na relação com Martim…”.

Não bastassem as inadaptações com a vida doméstica, Renata se viu diante de uma nova situação feminina, já bastante “tradicional” para as mulheres criadas para serem donas-de-casa e da família: ficou grávida de gêmeos. A descoberta de que dependeria dela o rumo da vida dos filhos, confundiu ainda mais a frágil estrutura que ela tentava há muito sustentar. A gestação foi difícil, as crianças nasceram fracas e débeis. Desejou se livrar o mais rápido possível desta situação.

Para Renata, os esforços da gestação e da amamentação exigiriam dela uma entrega, um doar-se completo, uma perda de essência que ela jamais conseguiria recuperar. Significava colocar-se à disposição, mais uma vez. Seu corpo, seu amor, se voltariam para outros e ela ficaria, mais uma vez, à espera de si mesma.

Amamentar era “um ato doloroso e cansativo que, inexplicavelmente, parecia desagregá-la ainda mais. Aquelas duas bocas sugavam uma substância irrecuperável, ele não conseguiria se recompor”.

A posição de Renata, física ou psicologicamente, desmistifica o papel da mulher na sociedade e na vida. Todos os moldes que lhe foram empregados desde sempre, diferentemente, de fazê-las compassivas, submissas ao quinhão de felicidade que lhes era oferecido, é desnudado aos olhos do leitor. Não, não é tudo maravilhoso. Tricotar, limpar a casa, passar horas presa ao calor do fogão, sentir as transformações que uma gestão operam no corpo, as variações hormonais, as dores nas costas, o peso na barriga, a falta de uma posição cômoda para se deitar, as dores nos seios ao amamentar. Todo o processo crescente que é o doar-se, entregar a vida a uma casa, a um marido, aos filhos. A mulher abdica da sua própria vida para atender as necessidades de tudo e todos que a rodeiam em detrimento de si mesma.

Renata não queria ser mais uma dessas mulheres. E, mesmo sentindo-se culpada, ela não se dedicou aos filhos com a intensidade que se espera de uma mãe. Na verdade, ela os substituiu pela música. Negou seu amor aos filhos por não poder mais negá-lo a si mesma e a sua arte. Esta falta de amor fez dos gêmeos seres sombrios, quietos, esquivos. E auto-suficientes. Só tinham um ao outro. Só poderiam contar um com o outro e só entre eles mesmos o amor acontecia amiúde. A solidão e a distância invadiam todos da casa. Incapazes de demonstrar e cultivar o amor, cada qual se resumia a seu próprio quarto fechado, seu coração trancado a chaves de morte. Em pouco tempo, Renata e Martim estavam decididos a se separar, quando, numa das tentativas de reconciliação, ela engravidou de novo.

Ambos viram neste novo filho a esperança desesperada, derradeira, de resgatar e encontrar o amor. Depositaram no filho, o Anjo Rafael, a possibilidade de serem felizes.

Amaram esta oportunidade e agarraram-se a ela. A gravidez de Renata, desta vez, foi tranqüila. O filho nasceu saudável e os pais o amavam como a ninguém no mundo foram capazes.

Mas o amor que este novo filho recebia e do qual os gêmeos nunca desfrutaram, trouxe também um aviso de morte. A negação do amor aos gêmeos gerou a morte do Anjo Rafael: “Os gêmeos, mais arredios depois do nascimento do irmão, cresciam sobre a distraída vigilância de Mamãe…”

Em certa ocasião, Clara pediu aos gêmeos que tomassem conta do irmão enquanto ela pegava revistas no quarto. As crianças esperavam por Clara no alto da escada, quando ela ouviu um barulho e correu até eles:

“Ninguém soubera explicar como o Anjo Rafael rolara a escada caindo no patamar, quebrando a cabecinha. Ajoelhada junto dele, Clara apenas vira, ao olhar para cima, Camilo e Carolina parados mudos e brancos, dando-se as mãos como para se ajudar.”

A relação entre eles era misteriosa e dependente. Principalmente para Carolina, a metade mais frágil. Sempre a adorá-lo, para ela, o amor de Camilo era suficiente. Por ele, era capaz de tudo. Perder sua identidade, violar seu corpo, submeter seus sentimentos mais íntimos aos olhares e carinhos que Camilo lhe dirigia. Para dar prazer a Camilo, Carolina se permitiu usar. Foi capaz de satisfazer o prazer do irmão, o desejo dele por um rapaz, através de seu corpo:

“Certa manhã o rapaz deitou-se com Carolina no quarto dela em casa de Mamãe. Penetrando-a numa raiva sem ternura, de repente ele soube: era um instrumento nas mãos daqueles dois, um jogo assustador que não entendia.

E lançava-se sobre Carolina como se a fosse profanar, enquanto ela se abria com dificuldade, gemendo (…) E [Carolina] soube também que Camilo se oferecia ao Outro nela, buscando através dela, no prazer que era agonia e dor, algo que o lançasse para além de tudo: da procura, do limite. Deixando-a para sempre sozinha.”

Camilo não mais se satisfazia com Carolina. Seu amor não era mais suficiente para ele. E ele quis descobrir até onde a união deles era inviolável. Até onde ela iria por ele e um estranho entre eles romperia com o mundo fechado que construíram. Ao introduzir alguém entre eles, Camilo violava não somente o corpo de Carolina, mas a fidelidade de seu amor, abandonando-a, distanciando-se dela de maneira irreversível.

Quando ele morreu, buscava por um mundo além de Carolina. O seu abandono a ela, a negação de seu amor, fez com Carolina se sentisse morrer junto com ele:

“Comecei a apodrecer, sentia. Não posso carregar esta parte por muito tempo, isso contagia, os vermes dele vão comer meus olhos, entupir minhas veias. A alma dele vai me arrastar consigo.”

Ao mesmo tempo, era livre para ser ela mesma e encontrar dentro dela o necessário para se amar e ser feliz. Não estava mais presa a Camilo:

“Abriu os braços, passou-os pelo próprio corpo, agarrou-se com sofreguidão: a partir de agora, prazer e amor vinham de dentro dela: emparedada, sem janelas nem portas, sozinha.”

Clara talvez fosse a pessoa mais próxima dos gêmeos. Durante o velório de Camilo, Clara estivera grande parte do tempo no quarto. Às vezes passava muito tempo confinada aí. Talvez acreditasse que ali, fechada no quarto, prenderia as lembranças e poderia reviver momentos que fizeram dela o que é hoje. Talvez recuperasse todo esse tempo ou, pelo menos, entendesse porque as coisas se deram da maneira como aconteceram.

Quando se fechava no quarto, Clara voltava a se lembrar da presença de um padre, o ser responsável pelo despertar de sua sexualidade, dos seus desejos e de seus sentimentos, também. Mas o padre não queria amá-la, não chegaria a satisfazer os desejos de Clara. O padre usou Clara. Não a amava, não sonhava, como ela, viverem um romance, entregarem-se um ao outro.

O padre usou Clara para livrar-se dela e de todas as mulheres. Enredando-a, envolvendo-a, pediu para ver seu sexo:

“Não era a ela que o Padre amava nem desejava: era uma obsessão, uma doença que lhe turvava a alma.(…) Vendo, ele conseguiria se libertar, tinha esperança. Conseguiria aplacar a feroz inquietação que o roía por dentro.”

Na atitude do padre, está todo o estereótipo construído em torno das mulheres. Descendentes de Lilith e Eva, todas as mulheres têm em si algo de fatal, capaz de atrair e fazer perderem-se todos os homens. Era este algo que o padre procurava descobrir. Por onde as mulheres envolvem e encantam os homens, levando-os à perdição.

Quem perdeu-se foi Clara. Sua inocência, seus sonhos. Sentindo-se rejeitada, usada, morreu para a vida ao redor. A negação do amor do padre gerou a morte social, sentimental, sexual de Clara. Agora, Clara estava sempre a esperar:

“…de repente animava-se, gastava horas num ritual de preparativos, embelezando-se, e descia; via televisão; folheava revistas; conversava um pouco, e subia ao quarto, retirando maquilagem e roupas: não houvera encontro algum (…) Para Camilo e Carolina havia alguma conexão entre a criatura presa ao quarto em tão prolongada agonia (Ella) e Clara preparando-se para um amor sempre adiado.”

A criatura a que se referem Camilo e Carolina era Ella, filha de Mamãe. Paraplégica, depois de acidente quando iria fugir com Martim, ela resistia. Apesar de toda dor, da privação de movimentos, de toda vida que lhe foi tirada, Ella desafiava o mundo, os homens, a vida.

“Sim, ela persistia, encerrada naquela luta por respirar, olhos pretos de botão presos no teto, alucinados por um sofrimento insuportável (…) Dentro da repulsiva prisão haveria ainda um pensamento humano, uma alma humana pulsando, querendo a salvação do amor? (…) Ella arrastava-se como uma lesma que apenas consegue cumprir alguns centímetros do sofrido trajeto cada dia. Em direção a quê? (…) O que Ella pretendia, agarrando-se tanto a uma vida sem sentido?”

Ella resistia. A mulher resistia. Lutava pelo amor. Cobrava seus direitos de ser amada. Amada por Martim, romance interrompido pela negação de Mamãe. Cobrava também o amor negado pela própria Mamãe a ela, sua filha legítima. “Ella nascera quando Mamãe ainda era solteira, um período de descaminho e sofrimento. Por isso, talvez sempre a tratava com mais frieza do que a seus filhos emprestados, Clara e Martim.” Agora Ella cobrava o amor que lhe foi negado. “Cobrava o amor e a compreensão dados escassamente quando tivera saúde e beleza.(…) Depois Ella tivera quase trinta anos para requisitar a mãe.”

A negação do amor de Mamãe para Ella levava-a, ela, Mamãe, à morte de sua própria vida. Mamãe não vivia para si mesma em nenhum momento. Sua vida parou com o acidente de Ella. Há anos vivia somente para ela. Tinha se tornado uma mulher que se perdera no tempo:

“…a peruca loura, a pintura exagerada, os vestidos fora de propósito (…) De camisola, Mamãe tirava a pintura com algodão passado em creme. Já desgrudara os cílios, os olhos nus eram tristes entre dobras de pele murcha. Ainda estava com a peruca. Limpava-se ao acaso, sem olhar no espelho. Para ela, não era um ritual de preservação da juventude, era apenas mais um dos inevitáveis aborrecimentos de cada dia. Nem saberia dizer por que, depois de velha, continuava a enfeitar-se como aos quarenta anos, quando era forte e cheia de esperança. Vagamente, sentia-se uma velha ridícula, mas nunca tivera tempo de parar na vida e constatar: envelheci. Por isso continuava, por hábito. Numa trilha como a sua, parar era perigoso: os pensamentos se acumulavam; se a represa rebentasse, o que saltaria lá de dentro?”

Negou amar a si mesma. Pela culpa, pelo remorso. E morreu para a vida. Continuava viva por dever, obrigação de cuidar de Clara. Mas era já uma mulher triste e cansada. E sozinha.

Todas as mulheres de O quarto fechado estão lutando contra os pesos de uma balança, muitas vezes, injusta. De um lado, uma história de preconceitos, estereótipos, submissões, tristezas veladas, idéias e sentimentos sufocados. De outro, atitudes de resistência e desafio. Desafio aos valores impostos, à vida e à morte. Todas elas resistem a sua maneira. Insistem em viver, em buscar uma saída para si mesmas, traços que se desenhem por suas próprias mãos.

Contornos de uma nova mulher, renovada e renascida, por amor a si mesma: “Estou tendo que renascer mais uma vez. Mais uma tormenta, um parto: a dor, o medo, o que virá agora?”, pensava Renata, mas o pensamento e o sentimento era geral a todas as mulheres da obra.

“Alguém ria na casa. O riso arquejante de um velho demônio agachado num canto nascia do fundo do corredor lá em cima, ricocheteava nas paredes, rolava cavernoso pelos degraus. Ella estava rindo: sacudia o corpanzil de tanto rir, premia as pálpebras, virava a cabeça freneticamente no travesseiro. O coração doente da casa explodia. (…)Por toda parte, embaixo das camas, nos cantos onde ninguém limpava direito, atrás de móveis e cortinas, novelos de poeira e teias longamente tecidas agitaram-se suavemente. (…) Depois o riso saiu pela janela e varreu as espirais de nevoeiro no jardim. Sobre a copa das árvores negras pulsou um novo dia, abrindo na bruma uma cunha de luz…”

Levantando-se depois de tanto tempo com cabeça baixa, as palavras escondidas, os gestos presos, a mulher se liberta. Livre de todas as amarras, a mulher se forma. conquista todo o espaço. Traz consigo uma abertura de luz sobre um passado sombrio e fechado, um quarto no qual foram todas confinadas, até agora.



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