Autor: Paulo Coelho
Título: O Alquimista, L'Alchimiste, Der Alchimist
Idiomas: port, fra, deu
Tradutor: Jean Orecchioni (fra), C.S. Herzog (deu)
Data: 29/12/2004
Escritores
Paulo Coelho
O rapaz chamava-se Santiago. Estava começando a escurecer quando chegou com seu rebanho diante de uma velha igreja abandonada. O teto tinha despencado há muito tempo, e um enorme sicômoro havia crescido no local que antes abrigava a sacristia.
Resolveu passar a noite ali. Fez com que todas as ovelhas entrassem pela porta em ruínas, e então colocou algumas tábuas de modo que elas não pudessem fugir durante a noite. Não havia lobos naquela região, mas certa vez um animal havia escapado durante a noite, e ele gastara todo o dia seguinte procurando a ovelha desgarrada.
Forrou o chão com seu casaco e deitou-se, usando o livro que acabara de ler como travesseiro. Lembrou-se, antes de dormir, que precisava começar a ler livros mais grossos: demoravam mais para acabar e eram travesseiros mais confortáveis durante a noite.
Ainda estava escuro quando acordou. Olhou para cima, e viu que as est5elas brilhavam através do teto semidestruído.
"Queria dormir um pouco mais", pensou ele. Tivera o mesmo sonho da semana passada, e outra vez acordara antes do final.
Levantou-se e tomou um gole de vinho. Depois pegou o cajado e começou a acordar as ovelhas que ainda dormiam. Ele havia reparado que, assim que acordava, a maior parte dos animais também começava a despertar. Como se houvesse alguma misteriosa energia unindo sua vida a vida daquelas ovelhas que há dois anos percorriam com ele a terra, em busca de água e alimento. "Elas já se acostumaram tanto a mim que conhecem meus horários", disse em voz baixa. Refletiu um momento, e pensou que podia ser também o contrário: ele que havia se acostumado ao horário das ovelhas.
Havia certas ovelhas, porém, que demoravam um pouco mais para levantar. O rapaz acordou uma a uma com seu cajado, chamando cada qual pelo seu nome. Sempre acreditara que as ovelhas eram capazes de entender o que ele falava. Por isso costumava às vezes ler para elas os trechos de livros que o haviam impressionado, ou falar da solidão e da alegria de um pastor no campo, ou comentar sobre as últimas novidades que via nas cidades por onde costumava passar.
Nos últimos dois dias, porém, seu assunto tinha sido praticamente um só: a menina, filha do comerciante, que morava na cidade por onde ia chegar daqui a quatro dias. Tinha estado apenas uma vez lá, no ano anterior. O comerciante era dono de uma loja de tecidos, e gostava sempre de ver a ovelhas tosquiadas na sua frente, para evitar falsificações. Um certo amigo tinha indicado a loja, e o pastor levou lá suas ovelhas.
"Preciso vender alguma lã", disse para o comerciante.
A loja do homem estava cheia, e o comerciante pediu que o pastor esperasse até o entardecer. Ele sentou-se na calçada da loja e tirou um livro do alforje.
- Não sabia que os pastores são capazes de ler livros - disse uma voz feminina ao seu lado.
Era uma moça típica da região de Andaluzia, com seus cabelos negros escorridos, e os olhos que lembravam vagamente os antigos conquistadores mouros.
- É porque as ovelhas ensinam mais que os livros - respondeu o rapaz. Ficaram conversando por mais de duas horas. Ela contou que era filha do comerciante, e falou da vida na aldeia, onde cada dia era i8gual ao outro. O pastor contou dos campos de Andaluzia, das últimas novidades que viu nas cidades onde visitara. Estava contente por não precisar conversar sempre com as ovelhas.
- Como aprendeu a ler? - perguntou a moça a certa altura.
- Como todas as outras pessoas - respondeu o rapaz. - Na escola.
- E, se sabe ler, então por que é apenas um pastor?
O rapaz deu uma desculpa qualquer para não respondes àquela pergunta. Ele tinha certeza de que a moça jamais entenderia. Continuou a contar suas histórias de viagem, e os pequenos olhos mouros abriam-se e fechavam-se de espanto e surpresa. A medida que o tempo foi passando, o rapaz começou a desejar que aquele dia não acabasse nunca, que o pai da moça ficasse ocupado por muito tempo e o mandasse esperar por três dias. Percebeu que estava sentindo uma coisa que nunca havia sentido antes: vontade de ficar morando numa mesma cidade para sempre. Com a menina e cabelos negros, os dias nunca seriam iguais.
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Fonte: COELHO, Paulo. O Alquimista. Rio de Janeiro: Roxo, 1995. P. 13, 14, 15.
Paulo Coelho
Il se nommait Santiago. Le jour déclinait lorsqu'il arriva, avec son troupeau, devant une vieille église abandonnée. Le toit s'était écroulé depuis bien longtemps, et un énorme sycomore avait grandi à l'emplacement ou se trouvait autrefois la sacristie.
Il décida de passer la nuit dans cet endroit. Il fit entrer toutes ses brebis par la porte en ruine et disposa quelques planches de façon à les empêcher de s'echapper au cours de la nuit. Il n'y avait pas de loups dans la région mais, une fois, une bête s'était enfuie, et il avait du perdre toute la journée du lendemain à chercher la brebis égarée.
Il étendit sa cape sur le sol et s'allongea, en se servant comme oreiller du livre qu'il venait de terminer. Avat de s'endormir, il pensa qu'il devrait maintemant lire des ouvrages plus volunineux: il mettrait ainsi plus temps à les finir, et ce seraient des oreillers plus confortables pour la nuit.
Il faisait encore sombre quand il s'éveilla. Il regarda au-dessus de lui et vit scintiller les étoiles au travers du toit à moitié effondré.
<< J'aurais bien aimé dormir un peu plus long-temps >>, pensa-t-il. Il avait fait le même rêve que la semaine précédente et, de nouveau, s'était réveillé avant la fin.
Il se leva et but une gorgée de vin. Puis il se saisit de sa houlette et se mit à réveiller les brebis qui dormaient encore. Il avait remarqué que la plupart des bêtes sortaient du sommeil sitôt que lui-même reprenait conscience. Comme si quelque mystérieuse énergie eut uni sa vie à celle deces moutons qui, depuis deux ans, parcouraient le pays avec lui, en quête de nourriture et d'eau. << Ils se sont si bien habitués à moi qu'ils connaissent mes horaires >>, se dit-il à voix basse. Puis, apres un instant de réflexion, il pensa que ce pouvait aussi bien être l'inverse: c'était lui qui s'etait habitué aux horaires des animaux.
Il y avait cependant dês brebis qui tardaient un peu plus à se relever. Il les réveilla une à une, avec son baton, em appelant chacune d'elles par son non. Il avait toujours été persuadé que les brebis étaient capables de comprendre ce qu'il disait. Aussi leur lisait-il parfois certains passages des livres qui l'avaient marqué, ou bien il leur parlait de la solitude ou de la joie de vivre d'un berger dans la campagne, commentait les dernieres nouveautés qu'il avait vues dans les villes par ou il avait l'habitude de passer.
Depuis l'avant-veille, pourtant, il n'avait pratiquement pás eu d'autre sujet de conversation que cette jeune fille qui habitait la ville ou il allait arriver quatre jours plus tard. C'était la fille d'un commerçant. Il n'était venu là qu'une fois, l'année précédente. Le commerçant possé-dait un magasin de tissus, et il aimait voir tondre les brebis sous ses yeux, pour éviter toute tromperie sur la marchandise. Un ami lui avait indiqué le magasin, et le berger y avait amené son troupeau.
<< J'ai Besoin de vendre un peu de Laine >>, dit-il au commerçant.
La boutique était pleine, et le commerçant demanda au berger d'altendre jusqu'en début de soirée. Celui-ci alla donc s'asseoir sur le trottoir du magasin et tira un livre de sa besace.
<< Je ne savais pas que les bergers pouvaient lire des livres >>, dit une voix de femme à cote de lui.
C'était une jeune file, qui avait le type même de la région d'Andalousie, avec ses long cheveux noirs, et des yeux qui rappelaient vaguement les anciens conquérants maures.
<< C'est que les brebis enseigment lplus de choses que les livres >>, répondit le jeune berger.
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Fonte: COELHO, Paulo. L'Alchimiste.Paris: Le grand Livre du mois,1994. (Traduit du portugais (Brésil) par Jean Orecchioni ). P. 17, 18, 19
DER ALCHIMIST DER ALCHIMIST
Erster Teil
1
Paulo Coelho
Der Jüngling hieß Santiago. Es fing bereits an zu dämmern, als er mit seiner Schafherde zu einer alten, verlassenen Kirche kam. Das Dach war schon vor geraumer Zeit eingestürzt, und ein riesiger Maulbeerbaum wuchs an jener Stelle, wo sich einst die Sakristei befand.
Er entschloß sich, die Nacht hier zu verbringen. So geleitete er alle Schafe durch die beschädigte Türe und legte einige Bretter quer davor, damit ihm die Tiere während der Nacht nicht entwischen konnten. Zwar gab es keine Wölfe in jener Gegend, aber einmal war ihm eines der Tiere während der Nacht entkommen, und er mußte den ganzen folgenden Tag mit der Suche nach dem verirrten Schäfchen verbringen.
Danach breitete er seinen Mantel auf dem Fußboden aus, legte sich nieder und nahm das Buch, das er gerade gelesen hatte, als Kopfkissen. Vor dem Einschlafen dachte er daran, daß er in Zukunft dickere Bücher lesen wollte, weil man länger etwas davon hat und weil sie eine bequemere Kopfstütze abgeben.
Es war noch finster, als er erwachte. Als er nach oben schaute, sah er die Sterne zwischen den Dachbalken durchscheinen.
Eigentlich wollte ich noch weiterschlafen, dachte er bei sich. Wieder hatte er den gleichen Traum gehabt wie vor einer Woche, und wieder war er vor dem Ende aufgewacht.
Er erhob sich und trank einen Schluck Wein. Dann nahm er seinen Hirtenstab und begann, die Schafe, die noch schliefen, eines nach dem anderen zu wecken. Mehr und mehr wurden die Tiere, wie ihm aufgefallen war, gleichzeitig mit ihm wach, als ob ein geheimnisvoller Gleichklang sein Leben mit dem der Schafe verband, die seit nunmehr zwei Jahren mit ihm übers Land gezogen waren, auf der Suche nach Wasser und Nahrung.
Sie haben sich schon so an mich gewöhnt, daß sie meinen Rhythmus kennen, dachte er. Aber nach kurzer Überlegung kam er zu dem Schluß, daß es auch umgekehrt sein könnte: Er selber hatte sich dem Rhythmus seiner Schafe angepaßt!
Einige unter den Tieren brauchten etwas länger zum Aufstehen. Der Jüngling weckte sie mit seinem Stab, indem er jedes bei seinem Namen nannte. Immer hatte er den Eindruck, daß die Schafe alles verstanden, was er sagte. Darum las er ihnen auch gelegentlich Abschnitte aus Büchern
vor, die ihn besonders beeindruckten, oder er philosophierte über die Einsamkeit und die Freuden eines Schafhirten, oder er kommentierte die letzten Neuigkeiten, die er im den Städten erfahren hatte, durch die er zu ziehen pflegte.
Seit zwei Tagen jedoch sprach er beinahe nur noch über eins: die Tochter eines Händlers, die in jener Kleinstadt lebte, welche sie in vier Tagen erreichen würden. Im vorigen Jahr war er das erste Mal bei diesem Handelsmann gewesen, der Besitzer eines Textilgeschäftes war und darauf bestand, daß die Schafe vor seinem Geschäft geschoren würden, um jeden Betrug zu vermeiden. Ein Bekannt er hatte den Laden empfohlen, und so brachte der Hirte seine Schafe jetzt dorthin.
2
»Ich muß einige Wolle verkaufen«, sagte er damals zum Kaufmann. Der Laden des Mannes war voll Kunden, so daß der Händler den Schäfer bat, sich bis zum späten Nachmittag zu gedulden. Dieser setzte sich auf den Gehsteig vor das Geschäft und nahm ein Buch aus seinem Rucksack.
»Ich wußte ja gar nicht, daß Hirten lesen können«, bemerkte eine weibliche Stimme an seiner Seite.
Das Mädchen sah wie eine typische Andalusierin aus mit langen schwarzen Haaren und Augen, die vage an die maurischen Eroberer erinnerten.
»Weil Schafe mehr lehren können als Bücher«, erwiderte der Jüngling.
Sie unterhielten sich angeregt während mehr als zwei Stunden. Das Mädchen sagte, daß sie die Tochter des Händlers sei, und erzählte vom Leben in ihrem Ort, wo ein Tag dem anderen glich. Der Schäfer seinerseits berichtete über die Landschaft Andalusiens und die Neuigkeiten aus den Ortschaften, die er besucht hatte. Er war glücklich, einen Zuhörer gefunden zu haben.
»Wie hast du denn lesen gelernt?« wollte das Mädchen wissen.
»In der Schule, wie alle anderen auch«, erwiderte der junge Mann.
»Aber wenn du doch lesen kannst, weshalb bist du dann nur ein einfacher Schafhirte geworden?«
Nun wurde der Jüngling verlegen, er wich der Frage aus, weil er überzeugt war, daß sie ihn doch nicht verstehen würde. Statt dessen berichtete er weiter von seinen Reisen, und die kleinen maurischen Augen des Mädchens wurden vor Staunen und Verblüffung bald groß und bald ganz schmal. Und während die Zeit dahinfloß, begann er, im stillen zu hoffen, daß dieser Tag niemals enden möge, oder daß der Vater des Mädchens ihn noch weitere drei Tage warten ließe Er bemerkte auch, daß er etwas Seltsames zu fühlen begann, etwas, was er bisher nicht gekannt hatte: den Wunsch, seßhaft zu werden. Mit dem Mädchen an seiner Seite würden die Tage gewiß nie langweilig werden.
Doch dann erschien der Kaufmann, ließ ihn vier Schafe scheren gab ihm seinen Lohn und bat ihn, im kommenden Jahr wieder vorbeizuschauen.
3
Jetzt fehlten also nur noch vier Tagesreisen bis zu jener Ortschaft Er war innerlich erregt und gleichzeitig verunsichert: Vielleicht hatte ihn das Mädchen längst vergessen, denn schließlich kamen viele Hirten hier vorbei, um Wolle zu verkaufen.
»Das wäre auch egal«, sagte der Jüngling laut zu seinen Schafen, »schließlich kenne ich ja noch andere Mädchen in anderen Städten.«
Aber im Grunde seines Herzens wußte er sehr wohl, daß es ihm doch nicht egal war. Und daß sowohl Hirten als auch Matrosen oder Handlungsreisende immer irgendeinen Ort kannten, wo es jemanden gab, bei dem sie die Freude vergaßen, frei durch die Welt zu reisen.
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Fonte: COELHO, Paulo. Der Alchimist: roman. Aus dem Brasilianischen von C.S. Herzog. Diogenes: 1996. p. 6-9.