ESCRITORES



ÓPERA DOS MORTOS





Autor: Autran Dourado
Título: ÓPERA DOS MORTOS, L’OPERA DES MORTS, THE VOICES OF THE DEAD
Idiomas: port, fra, eng
Tradutor: Jacques Thiériot(fra), (eng)
Data: 26/12/2004

ÓPERA DOS MORTOS


1
Sobrado


Autran Dourado

O senhor querendo saber, primeiro veja:
Ali naquela casa de muitas janelas de bandeiras coloridas vivia Rosalina. Casa de gente de casta, segundo eles antigamente. Ainda conserva a imponência e o porte senhorial, o ar solarengo que o tempo de todo não comeu. As cores das janelas e da porta estão lavadas de velhas, o reboco caído em alguns trechos como grandes placas de ferida mostra mesmo as pedras e os tijolos e as taipas de sua carne e ossos, feitos para durar toda a vida; vidros quebrados nas vidraças, resultado do ataque da meninada nos dias de reinação, quando vinham provocar Rosalina (não de propósito e ruindade, mais sem-que-fazer de menino), escondida detrás das cortinas e reposteiros; nos peitoris das sacadas de ferro rendilhado formando flores estilizadas, setas, volutas, esses e gregas, faltam muitas das pinhas de cristal facetado cor-de-vinho que arrematavam nas cantoneiras a leveza daqueles balcões.
O senhor atente depois para o velho sobrado com a memória, com o coração – imagine, mais do que com os olhos, os olhos são apenas conduto, o olhar é que importa. Estique bem a vista, mire o casarão como num espelho, e procure ver do outro lado, no fundo do lago, mais além do além, no fim do tempo. Recue no tempo, nas calendas, a gente vai imaginando; chegue até ao tempo do coronel Honório – João Capistrano Honório Cota, de nome e conhecimento geral da gente, homem cumpridor, de quem o senhor tanto quer saber, de quem já conhece a fama, de ouvido – de quem se falará mais adiante, nas terras dele, ou melhor, do pai – Lucas Procópio Honório Cota, homem de que a gente se lembra por ouvir dizer, de passado escondido e muito tenebroso, coisas contadas em horas mortas, esfumado, já lenda-já história, lembranças se azulando, paulista de torna-viagem das Minas, de longes sertões, quando o ouro secou para a desgraça geral, as grupiaras emudeceram: e eles tiveram de voltar, esquecidos das pedras e do ouro, das sonhadas riquezas impossíveis, criadores de gado, potentados, esbanjadores ou unhas-de-fome – conforme a experiência tida ou a natureza, fazendeiros agora, lúbricos, negreiros, incestuosos, demarcadores, ladrilhando com seus filhos e escravos este chão deserto, navegadores de montes e montanhas, políticos e sonegadores, e vieram plantando fazendas, cercando currais, montando pousos e vendas, semeando cidades no grande país das Gerais, buscando as terras boas de plantio, as terras roxas e de outras cores em que o sangue e as lágrimas entram como corantes – nas datas de quem, por doação e todos os mais requisitos de lei, se ergueu a Igreja do Carmo e se fez o Largo.
Um recuo no tempo, pode se tentar. Veja a casa como era e não como é ou foi agora. Ponha tento na construção, pense no barroco e nas suas mudanças, na feição do sobrado, na sua aparência inteira, apartada, suspensa (não, oh tempo, pare as suas engrenagens e areias, deixe a casa como é, foi ou era, só pra gente ver, a gente carece de ver; impossível com a sua mediação destruidora, que cimenta, castradora); esqueça por um momento os sinais, os avisos surdos das ruínas, dos desastres, do destino.
A casa fica no Largo do Carmo, onde se plantou a igreja. A Igreja do Carmo foi a primeira construção de pedra e alvenaria da cidade. Depois é que Lucas Procópio mandou construir a sua casa (na época apenas a parte de baixo), tentando fazer parelha com a igreja. Uma igreja em que se procurou no risco e na fachada seguir a experiência que os homens trouxeram das igrejas de Ouro Preto e São João del-Rei: só que mais pobre, sem a riqueza dos frontões de pedra em que o barroco brinca as suas volutas vadias; mesmo assim imponente, toda branca, com seus cunhais e marcos de pedra, a porta almofadada, as duas janelas-de-púlpito ladeando em cima o vão da porta, as cornijas trabalhadas em curvas leves, a torre solitária nascendo na cumeeira do telhado de duas-águas. Da torre pode se ver, em vôo de pássaro, o casario que cresceu para trás da igreja, contrariando o desejo dos fundadores que era ver a Igreja do Carmo soberana, sobranceira, dominando de frente toda a cidade. Da torre pode se ver a lisura vazia do largo de terra batida, onde às vezes se formam redemoinhos coriscantes de poeira, o cruzeiro no meio da praça, as ruas que dali partem, os muros brancos do cemitério, as voçorocas de goelas vermelhas na beira da estrada que deixa a cidade.
(Rosalina conhecia o Largo do Carmo palmo a palmo, desde sempre olhando detrás das cortinas a igreja, as casas fronteiras, a Escola Normal, a estrada. Os olhos vazios e mornos miravam o silêncio coalhado da praça, a solidão do descampado às três horas da tarde, o céu de verão sem nuvens, o sol estorricando a terra, reverberando nas paredes brancas, os burricos peados junto ao cruzeiro, os jacás vazios, esperando os donos – eles eram lerdos e cansados, pastavam com focinhos duros, disputavam uma ou outra cabeleira de capim que teimava em brotar daquele chão duro – alguém que entrava no Largo, os passos lentos, se protegendo do sol, e ela o seguia com a vista, a atenção neutra dos desocupados, até que dobrava a esquina ou se perdia de vista no fim da rua. )
Se quiser, o senhor pode ver Rosalina, acompanhar os seus mínimos gestos, como ela acompanhava os passeantes, não com aqueles olhos embaciados, aquela neutralidade morna. Mas veja antes a casa, deixa Rosalina pra depois, tem tempo.
No tempo de Lucas Procópio a casa era de um só pavimento, ao jeito dele; pesada, amarrada ao chão, com as suas quatro janelas, no meio a porta grossa, rústica, alta. Como o coronel Honório Cota, seu filho, acrescentou a fortuna do pai, aumentou-lhe a fazenda, mudou-lhe o nome para Fazenda da Pedra Menina – homem sem a rudeza do pai, mais civilizado, vamos dizer assim, cuidando muito da sua aparência, do seu porte de senhor, do seu orgulho – assim fez ele com a casa; assobradou-a, pôs todo gosto no segundo pavimento. Se as vergas das janelas de baixo eram retas e pesadas, denunciando talvez o caráter duro, agreste, soturno, do velho Lucas Procópio, as das janelas de cima, sobrepostas nos vãos de baixo, eram adoçadas por uma leve curva, coroadas e enriquecidas de cornijas delicadas que acompanhavam a ondulação das vergas.
Quando o mestre que o coronel Honório Cota mandou buscar de muito longe, só para remodelar a sua casa, disse quem sabe não é melhor a gente trocar as vergas das janelas de baixo, a gente dá a mesma curva que o senhor quer dar nas de cima, já vi muitas assim em Ouro Preto e São João, ele trancou a cara. Ora, já se viu, mudar, pensou. Não quero mudar tudo, disse. Não derrubo obra de meu pai. O que eu quero é juntar o meu com o de meu pai. Eu sou ele agora, no sangue, por dentro. A casa tem de ser assim, eu quero. Eu mais ele. E como o homem ficasse meio atarantado sem entender direito aquela argamassa estranha de gente e casa, vindo de outras bandas, o coronel puxou fundo um pigarro e disse o senhor não entende do seu oficio? Pois faça como lhe digo, assunte, bota a cabeça pra funcionar e cuide do risco. Se ficar bom eu aprovo. O homem quis dizer alguma coisa, ponderar, falar sobre os usos, mas o coronel foi perempto. E olhe, moço, disse ele, eu não quero um sobrado que fique assim feito uma casa em riba da outra. Eu quero uma casa só, inteira, eu e ele juntos pra sempre. O mestre viu aquele olho rútilo, parado, viu que o coronel já não falava mais com ele mas para alguém muito longe ou para as bandas do ninguém. Picou a mula, se foi para o seu serviço.
O mestre conversou com a gente da cidade, especulou, quis saber como era mesmo o velho Lucas Procópio Honório Cota. É pra compor a fachada, dizia explicadinho na sua voz aflautada, com medo de irem contar a seu coronel Honorio Cota que ele andava bisbilhotando a vida do falecido senhor pai dele, o famoso Lucas Procópio Honório Cota.
Coisa de pouca monta ficou sabendo, a não ser as brumosas histórias de um homem antigo que fazia justiça sozinho, que se metia com os seus escravos por aqueles matos, devassando, negociando, trapaceando, negaceando, povoando, alargando os seus domínios, potentado, senhor rei absoluto Aquela dureza não ajudava no risco. Melhor mesmo deixar as vergas como estavam. Quem sabe ele não concorda em botar uma cornija encimando a porta, pra dar mais nobreza? Ah, disto ele vai gostar. A porta eu ponho uma de duas folhas, bem trabalhada, almofadas pra lá de grandes, ele não vai querer ficar com aquela caindo aos pedaços, mais semelhando porta de curral, salvo seja, ainda bem que ele não está me ouvindo. Ele não quer derrubar é as vergas.
Eu e ele juntos pra sempre, foi repetindo o mestre na sua toada enquanto cuidava do risco.
Ao contrário do que suspeitou o coronel Honório, o mestre entendia do oficio. Fez crescer do chão feito uma árvore a casa acachapada, deu-lhe leveza e vida. O mestre ruminou, procurava fundir num só todo (compôs volumes cúbicos, buscou uma clara simetria nos vãos da fachada, deu-lhe vôo e leveza) aquelas duas figuras – o brumoso Lucas Procópio e aquele ali, o coronel João Capistrano Honório Cota.
O sobrado ficou pronto. A primeira vista nenhum diz – o senhor mesmo só agora repara, depois que eu falei – que aquela casa nasceu de outra casa. Mas se atentar bem pode ver numa só casa, numa só pessoa, os traços de duas pessoas distintas: Lucas Procópio e João Capistrano Honório Cota. Eu e ele juntos pra sempre, dizia a toada do mestre, a caminho de sua terra.
(…).

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Fonte: DOURADO, Autran. Ópera dos mortos. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1995. p. 1-5.

 

L’OPERA DES MORTS : ROMAN


1
La demeure


Autran Dourado

Monsieur, vous qui voulez savoir, voyez d’abord :
Devant vous, cette maison avec toutes ses fenêtres à impostes colorées, où vivait Rosalina. Maison de qui appartenait à une caste, comme eux autres disaient autrefois. Elle a gardé sa magnificence et son apparence seigneuriale, l’aspect imposant que le temps n’a pas encore complètement rongé. Les couleurs des fenêtres et de la porte son délavées depuis longtemps, le crépi qui se détache à plusieurs endroits, on dirait de grandes croûtes de blessures, met à vif les pierres, les briques et les hourdis, sa chair et ses os, faits pour durer toute la vie ; les carreaux cassés des vitrages, c’est le résultat des attaques des gamins les jours qu’ils se déchaînent et viennent provoquer Rosalina (non pas de propos délibéré ou par méchanceté, mais faute de savoir quoi faire d’autre), dissimulée derrière les rideaux et les portières ; sur les appuis des balcons aux ferronneries ouvragées de fleurs stylisées, dards, volutes, esses et grecques, manquent la plupart des pommes de cristal facetté lie-de-vin qui aux angles accentuaient la légèreté de ces balustrades.
Monsieur, considérez ensuite cette vieille demeure avec la mémoire, avec le coeur – imaginez, bien mieux qu’avec les yeux, les yeux ne sont qu’une voie, c’est le regard qui compte. Portez votre vue le plus loin possible, observez cet édifice comme dans un miroir et essayez de voir de l’autre côté, au fond du lac, au-delà de l’au-delà, à la fin des temps. Reculez dans le temps, jusqu’aux calendes grecques, et lâchez la bride à votre imagination, allez jusque tout là-bas du temps du colonel Honorio – João Capistrano Honorio Cota, dont nous connaissons tous le nom, un homme de devoir, sur qui vous voudriez savoir un tas de choses, vous connaissez déjà sa réputation, par ouï-dire – on causera de lui plus loin, sur ses terres, ou plutôt, de son père – Lucas Procopio Honorio Cota, un homme qu’on se rappelle parce qu’il a fait parler de lui, avec son passé caché par d’épaisses ténèbres, tout ce qu’on raconte aux heures creuses, un passé estompé, déjà mi-légende mi-histoire, souvenirs qui s’évaporent, un pauliste revenu des Minas Gerais, des lointains sertões, après que l’or s’est épuisé pour le malheur de tous et que les gîtes ont retrouvé leur silence : et eux autres, ils ont dû s’en retourner, oublier or et pierreries, leurs rêves de richesses impossibles, se faire éleveurs de bétail, potentats, gaspilleurs ou rapiats, suivant leur expérience ou leur nature, grands fermiers à présent, noceurs, négriers, incestueux, arpenteurs, occupés à carreler avec leurs enfants et leurs esclaves ce sol désert, navigateurs de hautes terres, politiciens et receleurs, et qui ont planté des fazendas, clôturé des corrals, construit des haltes et des buvettes, semé des villes dans le vaste territoire des Minas Gerais, cherché des terres fertiles, les terres rouges ou d’une autre couleur où le sang et les larmes entrent comme colorants – Lucas Procopio qui a fait la donation, par acte dûment notarié, des terrains où a été construite l’église du Carmel et aménagée la place du même nom.
Un recul dans le temps, ça vaut le coup d’essayer. Voyez la maison telle qu’elle était et non pas comme maintenant elle est ou a été. Soyez attentif à son architecture, pensez au baroque et à ses avatars, à l’allure de cette demeure, à son apparence globale, distante, suspendue (ô temps, je t’en prie, arrête tes engrenages, tes poussières, laisse cette maison comme elle est, a été ou était, rien que pour la voir, car il nous faut la voir ; impossible si tu imposes ta médiation destructrice que fige, castre son image) ; oubliez un instant les signaux, les avis sourds des ruines, des désastres, du destin.
La maison s’élève place du Carmel, où a été édifiée l’église. L’ église du Carmel a été la première bâtisse en dur de la ville. C’est par la suite que Lucas Procopio a fait construire sa maison (à l’époque, seulement la partie basse), en essayant de faire pendant à l’église. Une église à laquelle l’on s’est efforcé de donner lignes et façades conformes à l’expérience que les bâtisseurs avaient apporté d’Ouro Preto et de São João del Rei : sinon plus dépouillée, sans la richesse des frontons de pierre où le baroque hasarde ses volutes vaines ; et pourtant imposante, toute blanche, avec ses angles et ses piédroits de pierre, la porte à panneaux, les deux oculi de chaque côté et haut du porche, les corniches travaillées en courbes douces, la tour solitaire qui prend appui sur le faîtage à double versant. De cette tour on peut observer, tel un oiseau, l’alignée de maisons qui s’est greffée sur le derrière de l’église, contrariant le voeu des fondateurs de voir l’église du Carmel souveraine, hautaine, dominant de face toute la ville. De la tour on peut distinguer l’étendue lisse de la place en terre battue, où parfois se forment des tourbillons scintillants de poussière, le calvaire au milieu, les rues qui en partent, les murs blancs du cimetière, les crevasses qui ouvrent leurs gueules rouges au bord de la route qui s’éloigne de la ville.
(Rosalina connaissait la place du Carmel pouce par pouce, depuis le temps qu’elle regardait de derrière ses rideaux l’église, le front des maisons, l’École normale, la route. Ses yeux vides et mornes observaient le silence figé de la place, la solitude de son étendue à trois heures de l’après-midi, le ciel d’été sans nuages, le soleil torréfiant la terre, se réverbérant sur les murs blancs, les bourricots attachés près du calvaire, avec leurs bâts vides, attendant leurs maîtres – patauds et flapis, ils paissaient d’un mufle durci, se disputaient la moindre touffe d’herbe obstinée à pousser sur ce sol dur -, quiconque entrait sur la place, à pas lents, se protégeant du soleil, et elle le suivait du regard, avec l’attention neutre des désoeuvrés jusqu’à ce que l’apparition tournât le coin ou disparût au bout de la rue.)
Si vous voulez, monsieur, vous pouvez voir Rosalina, suivre ses moindres gestes, tout comme elle suivait les passants, mais pas avec ces yeux ternes, cette neutralité indolente qu’elle avait. Mais voyez d’abord la maison, laissez Rosalina pour plus tard, nous avons le temps.
Du temps de Lucas Procopio, la maison ne comportait qu’un rez-de-chaussée, une maison à son idée : lourde, bien ancrée au sol, avec ses quatre fenêtres, sa porte au milieu, haute épaisse, rustique. Le colonel Honorio Cota, son fils, a fait fructifier la fortune de son père, agrandi la fazenda, changé son nom, il l’a appelée fazenda de la Pedra Menina – un homme sans la rudesse du père, disons plus civilisé, particulièrement soucieux de son apparence, de son port seigneurial, de l’orgueil de sa caste – et il a fait de même avec la maison : il lui a ajouté un étage où il a déployé le meilleur goût. Alors aue les linteaux des fenêtres du rez-de-chaussée étaient droits et épais, révélant sans doute le caractère rude, fruste, taciturne du vieux Lucas Procopio, ceux de fenêtres d’en haut, alignés sur les embrasures d’en bas, on été adoucis par une légère incurvation, surmontés et agrémentés des corniches délicates qui épousent l’ondulation des linteaux.
Quand le maître maçon que le colonel Honorio Cota avait fait venir de très loin, juste pour remodeler sa maison, lui eut dit que peut-être bien il valait mieux refaire les linteaux des fenêtres du rez-de-chaussée, il leur donnerait la même courbure que celle que le colonel voulait donner à ceux du premier élage, il en avait déjà ou pas mal des pareils à Ouro Preto et São João, Honorio Cota se renfrogna. Changer les linteaux, il ne s’attendait pas à ça, en voilà una idée, il pensa. Je ne veux pas tout changer, il dit. Je ne vais pas démolir l’oeuvre de mon père. Ce que je veux, c’est mettre ensemble ce qui est de moi et ce qui est de mon père. Moi je suis lui, maintenant, par le sang, en dedans. La maison sera comme ça, je le veux. Moi plus lui. Et comme l’autre en restait tout ébaubi sans très bien comprendre qu’est-ce que c’était que ce mortier bizarre de personnes et de maison, lui qui venait d’autres contrées, le colonel après avoir graillonné un bon coupe lui demanda si vraiment il connaissait son métier. Si oui, faites comme je vous dis, faites marcher votre jugeote, mettez vos idées en place et présentez-moi un plan. S’il est bon, je vous donne carte blanche. L’homme voulut dire son mot, peser sa réponse, parler des usages, mais le colonel fut péremptoire. Écoutez, jeune homme, lui dit-il, moi je ne veux pas d’une maison faite de deux maisons empilées l’une sur l’autre. Je veux une maison d’un seul tenant, lui et moi à jamais réunis. L’artisan vit cet oeil étincelant, ce regard fixe, il comprit que le colonel ne s’adressait plus à lui, mais à quelqu’un situé très loin ou même au pays de personne. Il éperonna sa mute et alla se mettre à l’ouvrage.
Le maître prit langue avec les gens de la bourgade, s’informa, voulut savoir qui était au juste le vieux Lucas Procopio Honorio Cota. C’est pour mieux composer la façade, il disait en guise d’explication, de sa voix flûtée, avec la trouille qu’on aille raconter à m’sieu le colonel Honorio Cota qu’il farfouillait dans la vie de feu son père, le fameux Lucas Procopio Honorio Cota.
Il n’apprit guère que des broutilles, hormis les brumeuses histoires d’un homme d’autrefois qui rendait sa propre justice, s’enfonçait avec ses esclaves dans les forêts, pour découvrir, commercer, duper, piéger, peupler, étendre ses domaines, potentat, monarque absolu. Cette inflexibilité contrariait son dessein. Mieux valait laisser les linteaux du bas tels quels. Qui sait, le colonel serait peut-être d’accord de mettre un sommier au-dessus de la porte pour lui donner plus de noblesse ? Ah oui, ça va sûrement lui plaire. La porte, j’en mets une à deux battants, ouvragée, avec des panneaux, des grands, il ne va pas vouloir garder celle-là qui tombe en morceaux, qui ressemble plutôt à une porte d’étable, Dieu me garde, heureusement qu’il ne m’entend pas. Ce qu’il ne veut pas démolir, c’est les linteaux.
Lui et moi à jamais réunis, répétait le maître comme un refrain tandis qu’il s’occupait des plans.
A l’inverse de ce que craignait le colonel Honorio, l’artisan connaissait son métier. Il fit pousser du sol, tel un arbre, la maison trapue, il lui donna légèreté et vie. Il rumina longuement, pour essayer de fondre en un tout (il ajusta des volumes cubiques, rechercha une claire symétrie pour les trumeaux de la façade à laquelle il donna élan et légèreté) ces deux figures – le brumeux Lucas Procopio et l’autre, le colonel João Capistrano Honorio Cota.
La demeure fut édifiée. A première vue, personne ne saurait dire – vous-même venez seulement de vous en rendre compte, maintenant que je vous ai parlé – que cette maison est née d’une autre maison. Mais si vous prêtez toute votre attention, vous pouvez voir en une seule maison, en une seule personne, les traits de deux personnes distinctes : Lucas Procopio et João Capistrano Honorio Cota. Lui et moi à jamais réunis, disait le refrain du maître, sur le chemin du retour.
(…).

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Fonte: DOURADO, Autran. L’opéra des morts: roman. Traduit par Jacques Thiériot. Paris: Éditions du Seuil, 1986. p. 11-16.

 

THE VOICES OF THE DEAD


I

The Manor


Autran Dourado

If you want to know the story, first look yonder:
In that house over there, the one with all the windows with coloured transoms, lived Rosalina. A house of the gentry, at least that’s how they used to see themselves. It still preserves its stately, aristocratic bearing, the manorial air that time hasn’t altogether worn away. The paint of the windows and the door is faded with age, the plaster has faller away in places like great sores to reveal the stones, bricks and laths of its fresh and bones, made to last a lifetime. Some of the window panes are broken, but that was done by the local kids when they were up to mischief and came to pester Rosalina (not with malice aforethought, just lads with nought better to do with themselves), and she hiding behind the curtains and drapes. The handrails of the wroughtiron balconies, with their stylized flowers, arrows, scrolls, esses and fretwork, have lost many of the wine-coloured cut-glass pine-cones which topped the support brackets and put a delicate finishing touch to the balconies.
Now then, look closely at the old manor, but with your memory, your heart – your mind’s eye, not your eyes so much, they’re only the access, it’s the way you look that counts. Look into the distance, look at the manor house as if you were looking in a mirror and try to see through to the other side, to the bottom of the lake, beyond the beyond, to the end of time. Go back in time, turn the clock back, come with me in your imagination; back to the time of Colonel Honorio – João Capistrano Honório Cota, to give him his full name, known to us all, a man of honour, the man you want to know all about, the man you’ve heard of already and know by reputation – we’ll talk about him later, about his properties, or rather his father’s – Lucas Procópio Honório Cota, a man known to us by hearsay, with a dark hidden past, tales told late at night, a shadowy figure, half legend half real, memories of him fading, the southerner come back from the backlands of Minas Gerais when the gold dried up, disastrously, and the mines fell silent; and they had to return and forget the stones and the gold, the impossible wealth they’d dreamt of, these cattle breeders, men of wealth, spendthrifts or skinflints, according to their nature or experience, now all landowners, lecherous, incestuous, nigger owners, land snatchers, paving this empty land with their children and slaves, riding hills and mountains, politicians and tax-evaders, they went planting farms, fencing corrals, setting up shelters and stores, scattering towns throughout the state of Minas, seeking the good growing lands, the red soil and other soils coloured by blood and tears – on his land, Lucas Procópio’s, donated by him all legal and above board, they built Carmo Church and the town square.
Go back in time, try to anyway. See the house as it used to be, not as it is or was just now. Pay attention to the structure, keep in mind the baroque and its transformations, note the form of the manor, see it as a whole, by itself, suspended (no, time! Halt your wheels and your sands, leave the house as it is, was just now, or used to be, just for us to see it, we want to see it; not possible with your destructive intervention, which merges and so distorts), for the moment, forget the signs, the silent messages of ruins, of disasters, of fate.
The house is in Carmo Square, where the church was sited. Carom Church was the town’s first stone and brick building. Afterwards Lucas Procópio had his house built (at the time only the lower part), and tried to parallel the style of the church, whose design and façade were meant to reproduce the experience the men had gained from the churches in Ouro Preto and São João del-Rei poorer, without the richly carved stone pediments which the baroque embellishes with its idle scrolls; and yet imprenssive, all white, with its stone door frames and corner stones, its paneled door, the two oriel windows, one either side, above the doorway, the cornices wrought in gentle curves and its single tower rising from the ridge of the gable roof. From the tower you have a bird’s eye view of the rows of houses that sprang up at the back of the church, against the wishes of the founders, who wanted to see carom Church rise supreme, towering over the town in front of it. From the tower you can see the square, a smooth empty stretch of flattened earth occasionally disturbed by sparkling dust devils, the cross in the centre of the square, the streets running down from it, the white walls of the cemetery, the gaping red-jawed craters at the side of the road leading out of the town.
(Rosalina knew every inch of Carmo Square, for ever behind the curtains watching the church, the houses opposite, the teacher training college, the road. Her vacant listless eyes would scan the heavy silence of the square, the solitude of a stretch of open ground at three in the afternoon, the cloudless summer sky, the sun baking the earth, blazing back from the white walls, the donkeys standing hobbled by the cross, their panniers empty, waiting for their owners – slow and tired, grazing with hard muzzles, bickering over the odd tuft of grass which forced its way through the hard earth – someone coming slowly into the square, trying to avoid the sun, and her eyes would follow with the indifference of someone killing time, until the person turned the corner of disappeared out of sight at the far end of the street.)
If you wish, you can see Rosalina, follow her every move, just as she used to watch the passers-by, though not with her glazed eyes, her listless indifference. But first, look at the house, leave Rosalina till later, there’s plenty of time.
In Lucas Procópio’s time the house had just the one storey, just like himself: thick-set, planted firmly on the ground, with its four windows and the door in the centre heavy, high, roughhewn. His son, Colonel Honório Cota, increased his father’s fortune and added to his state, changing its name to Little Stone Ranch. A man without his father’s roughness, more civilized you might say, paid a lot of attention to his appearance, prided himself on his bearing, a gentleman he was. Same with the house: he added a second storey to it and did it with taste. The ground floor lintels were heavy and straight, you might say they displayed the harsh, uncouth, morose character of old Lucas Procópio, while the lintels of the upstairs windows, set directly above the lower frames, were softened by a slight curve, embellished by the addition, above, of delicate cornices which continued the twist of the lintels.
When the mason Colonel Honório had sent for from so far away, just to refashion the house, said perhaps the best thing to do is put new lintels on the lower windows, with the same curve you want on the upper ones, I’ve seen plenty like that in Ouro Preto and São João, he pulled a face. The very idea, change things, he thought. I don’t want it all changed, he said. I’m not knocking down what my father put up. What I want is to add what I’ve got to what he had. I am him, now, inside, in the blood. The house must be the same, that’s how I want it. Him and myself. The man looked rather bewildered, couldn’t properly make out that peculiar bond of people and house, he being from other parts, so the colonel cleared his throat and said don’t you know your trade? Do what I’m telling you, then, think about it, put your brain to work and come up with a design. If it’s good, I’ll give my approval. The man was about to say something, talk about building practice, but the colonel cut him short. And see here, young man, he said, I don’t want it to look like two houses, one on top of the other. I want one single, whole house, him and me together for always, The mason saw the far away glint in his eye and realized that the colonel wasn’t talking to him anymore, but to someone far off or to no one at all. He spurred his mule and went about his business.
The mason chatted to the townsfolk, asking questions, trying to find out what old Lucas Procópio Honório Cota had really been like. It’s because of the house front, he explained carefully, in his reedy voice, afraid that someone might go and tell Colonel Honório that he was going about snooping into the life of the colonel’s late father, the illustrious Lucas Procópio Honório Cota.
Precious little he found out, except the murky stories of an old-timer dispensing his own form of justice, taking off with his slaves into those forests, invading, bargaining, swindling, hoodwinking, settling, enlarging his domains, a cacique, an absolute monarch. That harshness of his didn’t help with the design. Better after all to leave the lintels as they were. Perhaps he might agree to a cornice over the door, to add a touch of distinction. Yes he’ll like that. As for the door, I’ll make it double-leaved, nicely decorated, with good big panels, he won’t want to keep that crumbling old thing, more like a barn door, begging his pardon, though he’s not listening. What he won’t knock out are the lintels.
Me and him together for always, the mason hummed over and over while he worked on the design.
Contrary to what Colonel Honório suspected, the mason knew his trade. He made that squat house rise up from the ground like a tree, he gave it life and lightness. The mason weighed things up, attempting to fuse in a single whole (he balanced cubic masses, he aimed for a clear-cut symmetry in the apertures of the house front, making it soar upwards, light and airy) those two – the misty figure of Lucas Procópio and this other one, Colonel João Capistrano Honório Cota.
The manor was finished. At first sight no one would say – you’ve only just noticed yourself, after I spoke about it – that the house you see here began as another house. But if you look carefully you can see in the one house, in the one person, the features of two different people: Lucas Procópio and João Capistrano Honório Cota. Me and him together for always, the mason hummed over to himself, as he rode back home.
(…)



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