Revista Mulheres e Literatura – vol. 2 - 1998



Mulheres, galinhas e mendigos: Clarice Lispector, contos em confronto





Mulheres, galinhas e mendigos: Clarice Lispector, contos em confronto

Ligia Chiappini

Freie Universität Berlin

Há um conto de Clarice que, na sua simplicidade, concentra significações
que reverberam pela obra toda. Trata-se de “Uma galinha”. Espécie
de alegoria da condição feminina, passou muito tempo desapercebido
como tal para a crítica preocupada em desvendar a dimensão filosófica
da obra.

Este texto tenta resumir um trabalho maior1 feito
com contos e romances de Clarice Lispector, que tem como ponto de partida a
leitura desse conto, porque nele se localiza um movimento fundamental e reiterado
em muitos outros momentos da obra. Trata-se de um movimento de ida e volta,
de saída à rua e de nova reclusão, da súbita experiência
de liberdade e de autodescoberta, mesmo que seguida de nova alienação.

“Uma galinha” é uma espécie de fábula irônica.
Um domingo, a galinha escolhida para ser comida no almoço escapa do quintal
e foge pelos telhados, perseguida pelo dono da casa improvisado em atleta de
fim-de-semana. Este, finalmente, a alcança, levando-a de volta e depositando-a
com certa violência no chão da cozinha, instante em que ela, de
susto, põe um ovo e se salva, já que a menina da casa, seguida
do próprio pai, reconhecem neste um filho, único motivo para a
sobrevivência da galinha.

Como não reconhecer aí o mesmo movimento de outros contos de
Clarice protagonizados por mulheres? Além do movimento de ida e volta,
que temos em contos como “Amor”, “Os laços de família”
e “A bela e a fera”, entre outros, há expressões que
se aplicam à galinha mas que valem para o estereótipo feminino.
Como não ver a mulher passiva e doméstica de tantos outros momentos
da obra que subitamente tenta um gesto, mesmo que fugaz, de independência,
nessa galinha “estúpida, tímida e livre” que “tinha
que decidir por si mesma os caminhos a tomar sem nenhum auxílio de sua
raça”? Mais ainda se observarmos que o ovo salvador é como
um filho “prematuro” e que a galinha “nascida que fora para a
maternidade, parecia uma velha mãe habituada”? E sobretudo quando
a ela se aplicam as expressões: “jovem parturiente”, “esquentando
seu filho”, “correr naquele estado”, “rainha da casa”
e “deu à luz”?2

Por outro lado, é fácil associar essa galinha, tão inusitadamente
segura de si “como um galo cré na sua crista” , aos homens
que “cantam de galo” em tantos contos onde se narra uma espécie
de guerra surda entre os sexos, nos casamentos feitos sem amor ou nos quais
o amor se acabou com a rotina da vida burguesa.

Como não ver nessa escolha para representar a mulher uma extrema ironia
por parte de Clarice que não ignora a utilização da palavra
galinha para significar mulher da rua, mulher fácil, mulher de
muitos homens? Resgatando a dignidade da galinha e encarnando nela a mulher
objeto, Clarice discute ironicamente essa grosseira comparação,
por exemplo, através da menina que, em “Uma história de tanto
amor” , “quando cresceu ficou surpresa ao saber que na gíria
o termo galinha tinha outra acepção”, pois, dizia
ela: “é o galo , que é um nervoso, quem quer! Elas não
fazem nada demais! e é tão rápido que mal se vé!
O galo é quem fica procurando amar uma e não consegue!” Ou
seja, o que a menina acaba nos dizendo com isso é que galinha é
… o galo.3

Se juntamos portanto ao movimento de saída à
rua e volta à casa com o que ele significa como tentativa de desalienação
da mulher, a essa disputa com o homem, chegamos a iluminar outro aspecto que
me parece da máxima importância em Clarice e que considero um ponto
cego da crítica tanto quanto o foi, por muito tempo, a desconsideração
do feminino nessa mesma obra . Trata-se da descoberta da pobreza por essa mulher
confinada e protegida por um bom negócio matrimonial, mas reduzida a
mecânicos atos quotidianos de auto-anulação, infeliz e culpada.
A descoberta da pobreza dá-se junto com a autodescoberta como consumidora
e parasita social, o que, de modo fulminante, desvenda o sem sentido da sua
vida e da vida dos homens numa cidade grande que expõe talvez mais duramente
os contrastes de uma sociedade injusta.

O conto em que isso está mais visível é um conto inacabado
mas que, independente da forma final que iriam ter seus fragmentos, já
como Clarice o deixou, revela talvez por isso mesmo, porque ainda não
arranjado em obra, essa vertente temática que, a partir daí ,
podemos reconhecer, meio disfarçada, em outros momentos dos contos e,
mesmo, dos romances .

Trata-se do conto póstumo “A bela e a fera”4.
A bela, Carla de Souza e Santos, “quatrocentos anos de carioca” ,
sai do espaço defendido do cabeleireiro chic do Copacabana Palace
Hotel aonde fora protegida em seu carro oleado, que corria “sem barulho
de metal ferrugento”, conduzido por chofer particular. Com ele deveria
voltar diretamente à casa para, depois, dirigir-se a outro espaço
defendido — o de uma festa grãfina. O conto, narrado por fragmentos
aparentemente desconexos, nos deixa entrever que, na vida da jovem senhora que
o casamento fizera mudar de classe, a cidade do Rio de Janeiro é outra.
É uma espécie de cidade-fortaleza onde habitam os viçosos,
os que podem tudo, até mesmo viver uma vida inteira sem dar-se conta
da existência da cidade real, em que trabalhadores convivem lado a lado
com marginais e mendigos. Assim seria a vida de Carla, se não tivesse
havido um imprevisto : o desencontro com o chofer, por ela ter saído
do salão de beleza antes da hora combinada , agravado pelo fato de não
contar com dinheiro trocado para o táxi. Essas são, aliás,
as razões pretensamente objetivas que Carla se dá para subitamente
sair porta afora da sua cidade defendida e descobrir a outra, a que começa
na avenida Copacabana, onde há “pessoas de toda espécie”.
Mas o texto sugere também que essa saída é uma espécie
de busca, de reencontro consigo mesma pelo encontro do outro de classe. Podendo
“voltar ao salão de beleza e pedir dinheiro”, desiste, porque
a tentação da rua foi mais forte: “era uma tarde de maio
e o ar fresco era uma flor aberta com o seu perfume. Assim achou que era maravilhoso
e inusitado ficar de pé na rua – ao vento que mexia com os seus cabelos.
Não se lembrava quando fora a última vez que estivera sozinha
consigo mesma. Talvez nunca. Sempre era ela – com outros – refletia e os outros
refletiam-se nela. Nada era… era puro, pensou sem se entender”.5

Como uma galinha, essa mulher é e não é e, depois de muito
pensar é como se não pensasse nada. Como se diz em “Felicidade
clandestina”: “Para falar a verdade, a galinha só tem mesmo
é vida interior. A vida interior da galinha consiste em agir como se
entendesse”.6

Quando Clara sai à rua, o olhar míope da mulher confinada de
que nos falava Gilda de Mello e Souza quando da publicação de
A maçã no escuro, descortina visões e pensamentos
inusitados, fazendo-nos enxergar e ouvir o mundo que berra pela boca desdentada
de um mendigo, como berrava pela boca do cego mascando chiclete, em “Amor”.

A visão do mendigo que vive de uma ferida na perna confronta Carla
consigo mesma e com a sua própria ferida na alma: a alienação
da mulher que se vendeu: “Agora entendia que se casara da primeira vez
e estava em leilão: quem dá mais? quem dá mais? (…).
Então está vendida. Sim, casara-se pela primeira vez com o homem
que “dava mais”. (…) Vendera-se. E o segundo marido? Seu casamento
(está) findando, ele com duas amantes fora a mulher e a mulher suportava
tudo porque um rompimento seria um escândalo: seu nome era por demais
citado nas colunas sociais. (…) Aliás, ela aceitara este segundo porque
lhe dava grande prestígio. Vendera-se às colunas sociais? Sim.
Descobrira isso agora”.7 Descobrir
isso é descobrir também que não se é uma self-made
woman
pelo simples fato de estar casada com um self-made man. Ressoa aqui
aquela Macabéa que pensava que mulher de deputado é deputada.
Finalmente, descobrir isso é tomar consciência do “tanto (que)
lhe foi dado e por ela ávida, tomado.” Tomado ou dado, o fato é
que ela se sabe agora do lado das “manadas de mulheres e homens que simplesmente
podiam”, os que andam em máquinas sem ferrugem, e que fazem o leitor
lembrar também , por contraste, da ferruginosa Macabéa, do livro
contemporâneo desse conto, A hora da estrela.

Estar na rua , para a mulher que nunca sai de casa, é como recuperar
a identidade perdida com o casamento; é voltar a ser. A Bela já
fora taquígrafa, mas esquecera, como “esquecera a máquina”,
“o aperto nos ombros, as chuvas nas calçadas, os horários
certos”.8
O casamento por dinheiro apagara tudo isso, mas apagara também
uma parte dela mesma que o encontro com o mendigo na Avenida Copacabana ameaça
trazer de volta com força e perigosamente.

A alienação da mulher rica se expressa na festa permanente,
sem nem ter o que festejar. E, na festa, os homens falam de negócios
e as mulheres exibem a beleza fabricada a peso de ouro nos salões da
Avenida Atlântica. Essa alienação é simétrica
à do mendigo, expressa na cachaça que o ajuda a suportar a quotidiana
exibição da sua mercadoria: a ferida na perna de que sobrevive.
Festa e cachaça, obsessões respectivas em que um e outro costumam
afogar uma falta comum – a falta de amor – e a pré-ciência de um
destino, apesar de tudo também comum: o da morte certa. Tudo isso é
explicitado por este conto ainda de discurso transparente, talvez porque inacabado,
anterior ao trabalho de polimento e de despojamento, das máscaras e dos
mistérios de Clarice em suas versões finais.

Entre “Uma galinha” (Laços de família, 1960)
e “A bela e a fera” (1977), passaram-se 17 anos de escrita e vários
outros contos e romances. A leitura de ambos hoje nos permite reler a obra de
60 a 77, encontrando sinais de uma permanente tematização, embora
mais disfarçada, da situação da mulher na cidade que se
moderniza e aprofunda selvagemente as desigualdades sociais, processo em que
ela tem um papel importante dentro da classe média brasileira na construção
do nosso chamado milagre econômico: é ela a principal consumidora;
é para ela que os homens dizem trabalhar, é ela que eles querem
comprar e é ela que decide se vender. “Amor”, “Felicidade
clandestina”, “Devaneio e embriaguez duma rapariga” , “Os
laços de família” e, embora menos facilmente, “A imitação
da rosa”, são, entre outros, contos que podem ser confrontados sob
essa perspectiva.

Nesse sentido, não podemos concordar com a afirmação
corrente em boa parte da crítica de que a questão social se põe
apenas nas obras finais (A hora da estrela e A bela e a fera).
É o que pensa, entre outros, Darlene J. Sadlier, que mais uma vez desvincula
duas mediações – da condição feminina e da luta
de classes, as quais, pelo contrário, vejo disseminadas e relacionadas
por toda a obra de Clarice. Diz ela, em “O texto e o palimpsesto: A bela
e a fera/ ou A ferida grande demais” :

“Como grande parte de sua ficção, o conto descreve o tumulto
privado e interior duma mulher; neste caso, porém, o tumulto é
provocado por um encontro entre uma mulher rica de destaque social e um mendigo
miserável. O conto intriga leitores e críticos porque envolve
um contraste vívido entre ricos e pobres, assunto de caráter público
nunca antes tratado por Clarice.”9

Já tive oportunidade de mostrar no ensaio citado, “Pelas ruas da
cidade uma mulher precisa andar”10,
como a pobreza na cidade maravilhosa se tematiza mesmo num livro hermético
e aparentemente preocupado apenas com questões existenciais e estéticas,
como A paixão segundo GH, revelando aí muitos pontos de
contato com outros momentos da obra em que a questão social se põe
de forma mais explícita, mas ainda aliada às indagações
filosóficas , como é o caso de A hora da estrela. O mesmo
vale para os contos aqui mencionados, onde volta e meia se insinua o pobre e
a fome em meio a epifanias que aparentemente nos levam muito longe dessa feia
e dura realidade sobre a qual se debruçam de modo quase fotográfico
os chamados brutalistas no mesmo período.

Não podemos esquecer que a obra de Clarice atravessou um tempo de guerra;
para boa parte dos intelectuais e para os trabalhadores brasileiros, um tempo
de guerra perdida. Seu primeiro romance foi escrito no Estado Novo e o romance
de que ela própria mais gostava (A paixão segundo GH) foi
publicado em pleno ano do golpe militar (1964) . Seus contos e romances atravessam
a ditadura , chegando até o início do que se convencionou chamar
de abertura democrática. Esse tempo foi caracterizado com brevidade mas
certeiramente por Walnice Nogueira Galvão do seguinte modo:

“Foi-se a utopia. Desfaleceu a fé na capacidade de criar o novo
e a dimensão do coletivo. Em seu lugar, tem-se um país mais rico,
de capitalismo selvagem e modernizador, a cultura recolhida a seus poucos bastiões
e a televisão para todos, numa sociedade com o consumo fetichizado –
e com a desigualdade maximizada.”11

Considerando, nesse mesmo texto, o empobrecimento da prosa de ficção
pós-68, Galvão reconhece a dificuldade de discernir “até
onde vai a determinação das condições históricas
específicas da conjuntura do país e onde começa a transplantação
do thriller e do roman noir norte-americanos” numa literatura
como a de Rubem Fonseca que apanha a violência da alienação
na metrópole moderna ou como a de Dalton Trevisan, a violência
das relações sociais na cidadezinha provinciana.

Clarice trilha o mesmo caminho, mas na contra-mão. No ensaio citado
páginas atrás, indico como ela dialoga com essa tendência
da ficção que Alfredo Bosi chamou de brutalista, sem a ela aderir,
apanhando por outro lado a mesma violência e o mesmo mal-estar do nosso
capitalismo selvagem, mas resistindo até o fim à tentação
do best-seller.

O mal-estar, porém, está aí e tem muito a ver com a troca
que a classe média realizou: muitos sonhos por alguns eletrodomésticos
e automóveis (como se disse cruel mas realisticamente também no
mesmo encontro de Maryland) . O papel da classe média já foi suficientemente
estudado por aqueles que procuraram desmistificar o “milagre brasileiro”.
Mas o papel da mulher consumidora, que talvez a sociologia esteja ainda por
estudar, foi colocado volta e meia em pauta por Clarice Lispector.

De fato, em Clarice, o tema da mulher objeto, freqüentemente vendida
num casamento sem amor aparece desde, pelo menos, A cidade sitiada, não
por acaso, um romance que trata da passagem de um subúrbio à cidade
grande. O mesmo tema reaparece em contos pelas décadas de 1970 afora,
reiterando-se , de forma mais clara e até esquemática, no conto
inacabado “A bela e a fera”.

Aparentemente conformadas com a rotina da vida burguesa, essas mulheres sempre
correm o risco de subitamente confrontar-se com o sem sentido de suas vidas,
ao lado de seus maridos bem postos nos negócios e dentro de suas casas
confortáveis. São momentos em que, como “Uma galinha”,
a mulher sai à rua , foge e quase vira um galo prestes a anunciar um
novo mundo possível e uma nova possibilidade de ser mulher dentro dele.

É o momento em que uma jovem mãe escapa ao “belo”
sábado do marido, ganhando a rua com o filho pela mão em busca
de reconquistar a relação perdida do amor verdadeiro, atravessado
pelas convenções do papel quotidiano de mãe e esposa:

“Quem sabe se sua mulher estava fugindo com o filho da sala de luz bem
regulada, dos móveis bem escolhidos, das cortinas e dos quadros? Fora
isso o que ele lhe dera. Apartamento de um engenheiro. E sabia que se a mulher
aceitava da situação de um marido moço e cheio de futuro–
desprezava-a também, com aqueles olhos sonsos, fugindo com seu filho
nervoso e magro. O homem inquietou-se. Porque não poderia continuar a
lhe dar senão: mais sucesso. E porque sabia que ela o ajudaria a consegui-lo
e odiaria o que conseguissem. Assim era aquela calma mulher de trinta e dois
anos que nunca falava propriamente como se tivesse vivido sempre.”12

É o momento em que a mulher senta com o mendigo, ama o cego, come a
barata, enxerga Janair, vé Macabéa na feira nordestina e escreve
sobre ela para exorcizá-la e ao mesmo tempo denunciar que ela existe
e consegue ser possível num mundo todo feito contra ela.

São todas mulheres-galinhas que abotoam e desabotoam os olhos, passivas,
remoendo o mal-estar e, de repente, explodindo num pequeno ato heróico
que não vale nada a não ser, talvez para os leitores, sobretudo
para nós, leitoras, como uma ponta de interrogação desestabilizadora
e provocadora de um mal-estar semelhante. Será que ainda somos leitoras
para Clarice Lispector? Mulheres da rua que somos hoje? Não mais confinadas
ao lar, mas emprendendo como o homem-engenheiro o conforto quotidiano de todas
nós? Será que nos desconfinamos? Então por que ainda nos
tocam as pequenas rebeldias das mulheres de Clarice e a sua teimosia em subir
no telhado e apontar o mendigo?


Notas

1
Em aula pública de concurso na USP, dada em 1981, identificava eu
aí uma espécie de ponto cego que hoje, depois das releituras de
Clarice pelas mulheres (principalmente, depois de sua descoberta pelas feministas
francesas e norte-americanas) parece se ter desvanecido mesmo entre os leitores
homens, pelo menos entre a crítica especializada. Mas o estudo pioneiro
e até hoje atual continua sendo o de Gilda de Mello e Souza, um belo
ensaio intitulado “Um vertiginoso relance” que, ponto de partida da
referida aula, continua sendo referência fundamental para mim em novos
trabalhos. A leitura minuciosa de “Uma galinha”, escrita mas não
publicada, foi posteriormente repetida em cursos de formação de
professores, onde pude constatar sempre a dificuldade, principalmente dos homens,
em identificar aí os elementos aparentemente tão óbvios
que fazem da galinha a representação da mulher, quanto mais não
seja pelas metáforas e comparações estereotipadas que a
ela se aplicam.

A esse ponto cego – do feminino – se juntaria um outro que chamaria minha atenção
mais recentemente. Refiro-me à significação social da obra
de Clarice e ao papel da luta de classes em que se insere a figura da mulher
e da cidade em que ela habita. Novo trabalho, objeto de algumas conferências
e agora prestes a sair na revista Literatura e Sociedade, do Departamento
de Teoria Literária e Literatura Comparada, da USP, atacaria esse ponto,
analisando sobretudo dois romances: A paixão segundo GH e A
hora da estrela
. Trata-se de mostrar aí como poderíamos ganhar
relacionando leituras freqüentemente exclusivas: a linguístico-estrutural,
a feminista, a filosófica e a histórico-sociológica que,
por sua vez, pode aproveitar de modo não reducionista e esquemático,
a leitura biográfica .

2 As citações
entre aspas são todas do conto “Uma galinha” , de Laços
de família
(1a. ed.1960). Edição utilizada aqui: Rio
de Janeiro, Ed. do Autor, 1965.

3 As citações
são do conto “Uma história de tanto amor”, Felicidade
clandestina
, 2a. ed. Rio de Janeiro, J. Olympio, 1975, p. 141.

4 Do livro
do mesmo nome, publicado em 1979 pela editora Nova Fronteira. A versão
publicada em 1979 é fruto de uma tentativa de dar forma final ao conto
inacabado de Clarice, por Olga Borelli e Gurgel Valente Filho. As citações
feitas aqui são retiradas do manuscrito deixado por Clarice, reproduzido
na edição crítica de A paixão segundo GH,
organizada por Benedito Nunes para a coleção Archives, Florianópolis,
Ed. da Universidade Federal de Santa Catarina, 1988. Será referido o
número do fragmento de onde for retirada a citação.

5 Op. cit.,
Fragmento XX.

6 Do conto
“O Ovo e a Galinha”, In Felicidade clandestina, op. cit. p.
49.

7 Ob. cit.,
fragmento XIII.

8 Ob. cit.,
fragmento X.

9 In: Travessia
21, Mulher e Literatura, Florianópolis, Ed. da UFSC, 1990, p. 105.

10 É
preciso destacar aqui a leitura pioneira de Solange Ribeiro, no resgate do social
e na tentativa de relacioná-lo com outras dimensões da obra, principalmente,
romanesca de Clarice: A barata e a crisálida, o romance de Clarice
Lispector
, Rio de Janeiro, José Olympio; Brasília, INL/Fundação
Nacional Pró-Memória, 1985. E, mais recentemente: “Rumo à
Eva do futuro: a mulher no romance de Clarice Lispector”, in: Remate
de Males
, n. 9, Unicamp/Campinas, 1989, p. 95-105.

11 “As
falas, os silêncios, literatura e mediações: 1964-1988”,
in: Brasil: o trânsito da memória, São Paulo, Edusp,
1994 (org. Saul Sosnowski e Jorge Schwartz). Atas do encontro do mesmo nome,
realizado na Universidade de Maryland entre 17 e 19 de abril de 1988.

12 Laços
de Família
, op. cit.

 



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