ESCRITORES



MIGUILIM





Autor: João Guimarães Rosa
Título: Corpo de Baile, Corps de Ballet
Idiomas: port, deu
Tradutor: Curt Meyer-Clason(deu)
Data: 28/12/2004

MIGUILIM

CORPO DE BAILE

João Guimarães Rosa

Um certo Miguilim morava com sua mãe, seu pai e seus irmãos, longe, longe daqui, muito depois da Vereda-do-Frango-d’Água e de outras veredas sem nome ou pouco conhecidas, em ponto remoto, no Mutúm. No meio dos campos gerais, mas num covoão em trecho de matas, terra preta, pé de serra. Miguilim tinha oito anos. Quando completara sete, havia saído dali, pela primeira vez: o tio Têrez levou-o a cavalo, à frente da sela, para ser crismado no Sucurijú, por onde o bispo passava. Da viagem, que durou dias, ele guardara aturdidas lembranças, embaraçadas em sua cabecinha. De uma, nunca pôde se esquecer: alguém, que já estivera no Mutúm, tinha dito: – “É um lugar bonito, entre morro e morro, com muita pedreira e muito mato, distante de qualquer parte; e lá chove sempre…”

Mas sua mãe, que era linda e com os cabelos pretos e compridos, se doía de tristeza de ter de viver ali. Queixava-se, principalmente nos demorados meses chuvosos, quando carregava o tempo, tudo tão sozinho, tão escuro, o ar ali era mais escuro; ou, mesmo na estiagem, qualquer dia, de tardinha, na hora do sol entrar. – “Oê, ah, o triste recanto…” – ela exclamava. Mesmo assim, enquanto esteve fora, só com o tio Terêz, Miguilim padeceu tanta saudade, de todos e de tudo, que às vezes nem conseguia chorar, e ficava sufocado. E foi descobriu, por si, que, umedecendo as ventas com um tico de cuspe, aquela aflição um pouco aliviava. Daí, pedia ao tio Terêz que molhasse para ele o lenço; e tio Terêz, quando davam com um riacho, um minadouro ou um poço de grota, sem se apear do cavalo abaixava o copo de chifre, na ponta de uma correntinha, e subia um punhado d’água. Mas quase sempre eram secos os caminhos, nas chapadas, então tio Terêz tinha uma cabacinha que vinha cheia, essa dava para quatro sedes; uma cabacinha entrelaçada com cipós, que era tão formosa. – “É para beber, Miguilim…” – tio Terêz dizia, caçoando. Mas Miguilim ria também e preferia não beber a sua parte, deixava-a para empapar o lenço e refrescar o nariz, na hora do arrocho. Gostava do tio Terêz, irmão de seu pai.

Quando voltou para casa, seu maior pensamento era que tinha a boa notícia para dar à mãe: o que o homem tinha falado – que o Mutúm era lugar bonito… A mãe, quando ouvisse essa certeza, havia de se alegrar, ficava consolada. Era um presente; e a idéia de poder trazê-lo desse jeito de cór, como uma salvação, deixava-o febril até nas pernas . Tão grave, grande, que nem o quis dizer à mãe na presença dos outros, mas insofria por ter de esperar; e, assim que pôde estar com ela só, abraçou-se a seu pescoço e contou-lhe, estremecido, aquela revelação. A mãe não lhe deu valor nenhum, mas mirou triste e apontou o morro; dizia: -“Estou sempre pensando que lá por detrás dele acontecem outras coisas, que o morro está tapando de mim, e que eu nunca hei de poder ver…” Era a primeira vez que a mãe falava com ele um assunto tão sério. No fundo de seu coração, ele não podia, porém, concordar, por mais que gostasse dela: e achava que o moço que tinha falado aquilo era que estava com a razão. Não porque ele mesmo Miguilim visse beleza no Mutúm – nem ele sabia distinguir o que era um lugar bonito de um lugar feio. Mas só pela maneira como o moço tinha falado: de longe, de leve, sem interesse nenhum; e pelo modo contrário de sua mãe – agravada de calundú e espalhando suspiros, lastimosa. No começo de tudo, tinha um erro – Miguilim conhecia, pouco entendendo. Entretanto, a mata, ali perto, quase preta, verde-escura, punha-lhe medo.

Com a aflição em que estivera, de poder depressa ficar só com a mãe, para lhe dar a notícia, Miguilim devia de ter procedido mal e desgostado o pai, coisa que não queria, de forma nenhuma, e que mesmo agora largava-o num atordoado arrependimento de perdão. De nada, que o pai se crescia, raivava: – ” Este menino é um mal-agradecido. Passeou, passeou, todos os dias esteve fora de cá, foi no Sucurijú, e, quando retorna, parece que nem tem estima por mim, não quer saber da gente…” A mãe puniu por ele: – “Deixa de cisma, Béro. O menino está nervoso…” Mas o pai ainda ralhou mais, e, como no outro dia era de domingo, levou o bando dos irmãozinhos para pescaria no córrego; e Miguilim teve de ficar em casa, de castigo. Mas tio Terêz, de bom coração, ensinou-o a armar urupuca pra pegar passarinhos. Pegavam muitos sanhaços, aqueles pássaros macios, azulados, que depois soltavam outra vez, porque sanhaço não é pássaro de gaiola. -“Que é que você está pensando, Miguilim?” – tio Terêz perguntava. -“Pensando em pai…” – respondeu. Tio Terêz não perguntou mais, e Miguilim se entristeceu, porque tinha mentido: ele não estava pensando em nada, estava pensando só no que deviam de sentir os sanhaços, quando viam que já estavam presos, separados dos companheiros, tinha dó deles; e só no instante em que tio Terêz perguntou foi que aquela resposta lhe saiu da boca. Mas os sanhaços prosseguiam de cantar, voavam e pousavam no mamoeiro, sempre caíam presos na urupuca e tornavam a ser soltos, tudo continuava. Relembrável era o Bispo – rei para ser bom, tão rico nas cores daqueles trajes, até as meias dele eram vermelhas, com fivelas nos sapatos, e o anel, milagroso, que a gente não tinha tempo de ver, mas que de joelhos se beijava.

– Tio Terêz, o senhor acha que o Mutúm é lugar bonito ou feioso?

– Muito bonito, Miguilim; uai. Eu gosto de morar aqui…

Entretanto, Miguilim não era do Mutúm. Tinha nascido ainda mais longe, também em buraco de mato, lugar chamado Pau-Roxo, na beira do Saririnhém. De lá, separadamente, se recordava de sumidas coisas, lembranças que ainda hoje o assustavam. Estava numa beira de cerca, dum quintal, de onde um menino-grande lhe fazia caretas. Naquele quintal estava um peru, que gruziava brabo e abria a roda, se passeando, pufo-pufo – o peru era a coisa mais vistosa do mundo, importante de repente, como uma estória – e o meninão grande dizia: – “É meu !…” E : – “É meu…” – Miguilim repetia, só para agradar ao menino-grande. E aí o Menino Grande levantava com as duas mãos uma pedra, fazia uma careta pior: – “Aãã!…” Depois, era só uma confusão, ele carregado, a mãe chorando: – “Acabaram com o meu filho!…” – e Miguilim não podia enxergar, uma coisa quente e peguenta escorria-lhe da testa, tapando-lhe os olhos. Mas a lembrança se misturava com outra, de uma vez em que ele estava nu, dentro da bacia, e seu pai, sua mãe, Vovó Izidra e Vó Benvinda em volta; o pai mandava: – “Traz o trem…” traziam o tatu, que guinchava , e com a faca matavam o tatu, para o sangue escorrer por cima do corpo dele para dentro da bacia. – “Foi de verdade, Mamãe?” – ele indagara, muito tempo depois; e a mãe confirmava: dizia que êle tinha estado muito fraco, saído de doença, e que o banho no sangue vivo do tatu fora para ele poder vingar. Do Pau-Roxo conservava outras recordações, tão fugidas, tão afastadas, que até formavam sonho. Umas moças, cheirosas, limpas, os claros risos bonitos, pegavam nele, o levavam para a beira duma mesa, ajudavam-no a provar, de uma xícara grande, goles de um de-beber quente, que cheirava à claridade. Depois, na alegria num jardim, deixavam-no engatinhar no chão, meio àquele fresco das folhas, ele apreciava o cheiro da terra, das folhas, mas o mais lindo era o das frutinhas vermelhas escondidas por entre as folhas – cheiro pingado, respingado, risonho, cheiro de alegriazinha. As frutas que a gente comia. Mas a mãe explicava que aquilo não havia sido no Pau-Roxo, e bem nas Pindaíbas-de-Baixo-e-de-Cima, a fazenda grande do Barbóz, aonde tinham ido de passeio.

Da viagem, em que vieram para o Mutúm, muitos quadros cabiam certos na memória. A mãe, ele e os irmãozinhos, num carro-de-bois com toldo de couro e esteira de buriti, cheio de trouxas, sacos, tanta coisa – ali a gente brincava de esconder. Vez em quando, comiam, de sal, ou cocadas de buriti, doce de leite, queijo descascado. Um dos irmãos, mal lembrava qual, tomava leite de cabra, por isso a cabrita branca vinha, caminhando, presa mãe deles, toda a vida. A coitada da cabrita – então ela por fim não ficava cansada? – “A bem, está com os peitos cheios, de derramar…” – alguém falava. Mas, então, pobrezinhos de todos, queriam deixar o leite dela ir judiado derramando no caminho, nas pedras, nas poeiras? O pai estava a cavalo, ladeante. Tio Terêz devia de ter vindo também, mas disso Miguilim não se lembrava. Cruzaram com um rôr de bois, embrabecidos: a boiada! E passaram por muitos lugares.

– Que é que você trouxe para mim, do S’rucuiú? – a Chica perguntou.

– Trouxe este santinho…

Era uma figura de moça, recortada de um jornal.

– É bonito. Foi o Bispo que deu?

– Foi.

– E p’ra mim? E p’ra mim?! – reclamavam o Dito e Tomèzinho.

Mas Miguilim não tinha mais nada. Punha a mãozinha na algibeira: só encontrava um
Pedaço de barbante e as bolinhas de resina de almêcega, que unhara da casca da árvore, beira de um ribeirão.

– Estava tudo num embrulho, muitas coisas… Caiu dentro do corgo, a água afundou… Dentro do corgo tinha um jacaré, grande…

– Mentira. Você mente, você vai para o inferno! – dizia Drelina, a mais velha, que nada pedira e tinha ficado de parte.

– Não vou, eu já fui crismado. Vocês não estão crismados!

– Você foi crismado, então como é que você chama?

– Miguilim.

– Bobo! Eu chamo Maria Andrelina Cessim Caz. Papai é Nhô Bernardo Caz! Maria Francisca Cessim Caz, Expedito José Cessim Caz, Tomé de Jesus Cessim Caz… Você é Miguilim Bobo…
(…).

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Fonte: Rosa, José Guimarães. “Miguilim”. In:—, Campo geralCorpo de baile. Rio de Janeiro: José Olympio, 1956. p. 15-20.

MIGUILIM

CORPS DE BALLET

João Guimarães Rosa

Ein gewisser Miguilim wohnte mit seiner Mutter, seinem Vater und seinen Geschwistern weit, weit von hier, eine gute Strecke hinter der Niederung-des-Wasserhuhns und anderen Flussläufen, die keinen Namen haben oder wenig bekannt sind, na einem entlegenen Ort, Mutúm. Mitten auf den Campos Gerais, aber in einer schmalen, schwarzerdigen Waldsenke am Fuss der Serra. Miguilim war acht Jahre alt. Mit dem vollendeten siebten Lebensjahr verliess er seinen Heimatort zum ersten Mal: Onkel Terês setzte ihn vor sich aufs Pferd und nahm ihn mit zur Firmung nach Sucurijú, wo der Bischof auf der Durchreise erwartet wurde. Von der Reise, die Tage dauerte, hatte er einen ganzen Knäuel von Erinnerungen aufbewahrt, die seinen Kopf verwirrten. Eine davon konnte er nie vergessen: Jemand, der in Mutúm gewesen war, hatte gesagt: ” Ein hübsches Fleckchen, zwischen Berg und Berg, mit viel Gestein und Wald, weitab von überall, und es regnet dort immer…”

Seine Mutter indessen, die schön war und lange shwarze Haare hatte, verzehrte sich in Traurigkeit, dort wohnen zu müssen. Vor allem klagte sie über die langweiligen Regenmonate, wenn der Himmel sich verdüsterte und alles so einsam, so dunkel; die Luft war dort dunkler, auch in der Zeit der Dürre, na jedem beliebigen Tag, gegen Abend, wenn die Sonne unterging. ” O je, o je, was für ein trauriger Winkel “, stöhnte sie. Aber selbst wenn er nur mit Onkel Terêz allein unterwegs war, hatte er so viel Heimweh, nach allen und allem, dass er mitunter nicht einmal weinen konnte und fast erstickte. So entdeckte er ganz von selber, dass er duch Bestreichen seiner Nasenlöcher mit Speichel seine Atemnot lindern konnte. Daher bat er den Onkel Terêz, er möge ihm doch sein Taschentuch befeuchten; und sobald sie na einen kleinen Bach, na einen Giessbach oder ein Felsenbecken kamen, liess Onkel Terêz, ohne abzusitzen, seinen Hornbecher na seiner Schnur hinunter und holte ihn gefüllt wie der herauf. Da sie aber meistens durch unwirtliches Gelände ritten, führte Onkel Terêz eine kleine, bis na den Rand gefüllte Kalebasse mit, die für viermaliges Durstlöschen ausreichte; eine Kürbisflasche, mit Weidengeflecht überzogen und ein hübsches Stück obendrein. ” Es ist zum Trinken, Miguilim “, sagte Onkel Terêz scherzend. Miguilim lachte gleichfalls, zog’s aber vor, seinen Anteil nicht zu trinken, sondern sparte sich ihn auf, um sein Taschentuch benetzen und die Nase befuchten zu können, sobald das Heimweh na ihm nagte. Er hatte den Onkel Terêz, den Bruder seines Vaters, sehr gern.

Als er nach Hause kam, war sein wichtigster Gedanke, der Mutter die gute Nachricht zu überbringen, nämlich dass der Mann gesagt hatte: Mutúm ist ein hübsches Fleckchen… Wenn die Mutter das hören würde, diese Zusicherung, müsste sie froh werden und getröstet. Es war ein Geschenk, und der Gedanke, es ihr so, aus dem Kopf, wie eine Rettung aus der Not, zu überreichen, machte ihn fiebrig, bis in die Beine hinein. Es war ein so wichtiges, grosses Geschenk, dass er es der Mutter nicht in Gegenwart der anderen sagen wollte, aber Qualen litt, warten zu müssen; und sobald er allein mit ihr war, hing er sich an ihren Hals und erzählte ihr zitternd die grosse Offenbarung. Die Mutter achtete jedoch nicht darauf, blickte nur wehmütig drein und deutete auf den Berg; sie sagte: ” Ich denke immer, dass dort, hinter ihm, Dinge geschehen, die der Berg mir verbirgt, und dass ich sie nie im Leben sehn werde… ” Es war das erstemal, dass die Mutter mit ihm über eine so schwerwiegende Sache sprach. Im Grunde seines Herzens stimmte er jedoch nicht mit ihr überein, mochte er sie noch so innig lieben; denn er fand, dass der junge Mann, der das zu ihm gesagt hatte, im Recht war. Nicht etwa weil er, Miguilim, etwas Schönes an Mutúm gefunden hätte, denn er wusste nicht einmal einen hübschen Ort von einem hässlichen zu unterscheiden. Sondern nur durch die Art, wie der Mann gesprochen hatte, so von weit her, so obenhin, ohne jede Berechnung, und ausserdem ganz anders, als seine Mutter es tat, niedergedrückt von Missmut, unter Seufzern und voller Beschwerde. In der Wurzel von allem steckte ein Irrtum – das wusste Miguilim, ohne dass er es richtig begriff. Und doch war der Urwald ganz in der Nähe, dunkelgrün, fast schwarz und flösste ihm Angst ein.

In seiner Aufregung, so rasch wie möglich allein bei der Mutter zu sein und ihr seine Botschaft überbringen zu können, musster er sich jedoch falsch benommen und den Vater verstimmt haben, was er freilich ums Leben gern vermieden hätte und was ihn jetzt in einen Wirbel von Gewissensbissen und Reue stiess. Denn es bedurfte nur einer Lappalie, dass der Vater aus dem Häuschen geriet und wetterte: ” Dieser Junge ist eine Ausgeburt des Undanks! Er hat’s gut gehabt, ist spazieren gewesen, war tagelang unterwegs, durfte nach Sucurijú reiten, und kaum ist er zurück, will er anscheinend nichts mehr von seinem Vater wissen und hat kein Auge für ihn. ” Die Mutter sprang für ihn ein: ” Keine Rede, Béro. Der Junge ist eben bisschen nervös.” Aber der Vater zeterte nur noch lauter, und da der nächste Tag ein Sonntag war, nahm er die Schar von Miguilim kleineren Brüdern zum Fischen an den Bach mit, während er selber zur Strafe zu Hause bleiben musste. Onkel Terêz jedoch, der ein gutes Herz hatte, lehrte ihn Fallen bauen, um Vögel damit zu fangen. Sie fingen auch viele Sanhassus damit, jene geschmeidigen bläulich gefiederten kleinen Vögel, die sie hinterher fliegen liessen, weil der Sanhassu kein Vogel für einen Käfig ist. ” Woran denkst du, Miguilim? ” fragte Onkel Terêz. ” Ich denke an meinen Vater “, antwortete er. Onkel Terêz fragte nicht weiter, und Miguilim wurde traurig, weil er gelogen hatte: er dachte an nichts, er dachte an das, was die Sanhassus fühlen mussten, wenn sie sich plötzlich von den Gefährten getrennt und eingesperrt sahen; und sie dauerten ihn, und erst in dem Augenblick, als Onkel Terêz die Frage an ihn gestellt hatte, war ihm jene Antwort entschlüpft. Aber die Sanhassus zwitscherten weiter, flatterten hin und her und liessen sich auf dem Papaya-Baum nieder; immer wieder gerieten sie in die Falle, und immer wieder wurden sie freigelassen, alles lief im Kreise. Und dann musste er an den Bischof denken, so reich gekleidet konnte fast nur ein König sein mit seinen bunten Kleidern, sogar seine Strümpfe waren rot, Kordeln hatte er an seinen Schuhen, und der Ring war so prächtig, dass man kaum Zeit hatte, ihn zu bewundern, obgleich man ihn beim Niederknien küsste.

” Onke Terêz, finden Sie, dass Mutúm schön oder hässlich ist? “

” Sehr schön, Miguilim, was denn sonst! Ich wohne gern hier. “

Indessen stammte Miguilim nicht aus Mutúm. Er was weit weg geboren, gleichfalls in einer Waldsenke, einem Ort mit Namen Rotholz, am Ufer des Saririnhém. Von dort entsann er sich längst entschwundener Dinge, es waren Erinnerungen, die ihn noch jetzt beängstigten. Er hatte an einem Zaun gestanden, der einen Hof eingrenzte; dahinter schnitt ihm ein grösserer Junge Grimassen herüber. In dem Hof war ein Puter, der kollert wütend, schlug ein Rad, stolzierte auf und ab, geschwollen, gespreizt, der Truthahn war das Prächtigste auf der Welt, er war mit einemmal wichtig, so bedeutend wie eine Geschchte – und der grosse kleine Junge sagte: ” Der gehört mir. ” Und ” Der gehört mir ” wiederholte Miguilim, nur um dem grossen Kleinen zu Gefallen su sein. Und schon hob der grosse kleine Junge mit beiden Händen einen Stein auf und schnitt eine noch schlimmere Grimasse: ” Waaah…! ” Und dann war alles ein Wirbel, und er wurde fortgetragen, und die Mutter jammerte: ” Sie haben mir mein Kind totgeschlagen! ” Und Miguilim konnte nichts mehr se hen; etwas Heisses, Zähflüssiges rann ihm von der Stirn und verklebte ihm die Augen. Aber diese Erinnerung vermengte sich mit einer anderen, und in der war er nackt im Waschbecken, und drum herum sein Vater, seine Mutter, Grossmama Izidra und Grossmama Benvinda; und der Vater Befahl: ” Bringt das Tier her! ” Und dann brachten sie das Gürteltier, das quiekte, und sie stachen das Gürteltier mit dem Messer ab und liessen sein Blut über Miguilim Körper in die Wanne fliessen. ” War das wirklich so, Mama? ” wolte er wissen, lange Zeit danach. Und die Mutter bestätigte es ihm. Sie sagte, er sie sehr schwach gewesen, habe gerade eine Krankheit hinter sich gehabt, und das Bad im warmen Blut des Gürteltiers hätte dazu gedient, ihn wieder zu Kräften zu bringen. Aus Rotholz bewahrte er auch andere Erinnerungen, freilich so flüchtige, so entrückte, dass sie Träumen glichen. Ein paar Mädchen, die sauber und gut rochen und ein helles, hübsches Lachen hatten, fassten ihn, hoben ihn über den Tischrand hinauf und gaben ihm aus einer riesengrossen Tasse zu kosten, Schlucke eines heissen Getränks, das nach Helligkeit duftete. Dann liessen sie ihn in einem Garten auf allen Vieren kriechen, es war ein Jubel unterall der Blätterfrische, und er liebte den Geruch der Erde, der Blätter, aber das schönste war doch der Geruch der kleinen roten, im Blattwerk versteckten Früchte gewesen, ein sprühender, tröpfelnder, lächelnder Geruch, der voll war von einer kleinen Fröhlichkeit. Es waren essbare Früchte. Aber die Mutter erklärte ihm, das sei nicht in Rotholz, sondern in Pindaíbas-von-Unten-und-Oben gewesen, auf der grossen Fazenda der Familie Barbóz, wo sie zu Besuch gewesen waren.

Von der Reise, die sie nach Mutúm gemacht hatten, waren ihm viele Bilder im Gedächtnis haftengeblieben. Die Mutter, er und die Brüder, in einem Ochsenwagen, überdacht mit Leder und ausgelegt mit Matten aus Burití-Blättern, voll von Kisten und Bündeln und einem Haufen Zeug – zwischen all dem hatten sie Verstecken gespielt. Von Zeit zu Zeit assen sie Gesalzenes oder süsses Palmenmus, Krokant oder Käse ohne Rinde. Einer der Brüder, er wusste nicht mehr welcher, trank Ziegenmilch; daher wuder die weisse Ziege an einer Stange hinter dem Wagen hergezogen. Die Zicklein reisten mit den Menschen im Wageninnern und blökten unablässig nach ihrer Mutter. Die arme Ziege – musste sie nich bald umfallen vor Müdigkeit? ” Fein, die hat Euter, zum Bersten voll “, sagte jemand. Warum liessen dann die Allerärmsten die ganze Milch unterwegs über Stock und Stein und Staub fliessen? Der Vater sass zu Pferd und ritt nebenher. Auch Onkel Terêz war wohl dabei, aber Miguilim erinnerte sich nicht mehr daran. Später begegneten sie einer Masse Rinder, die furchtbar wild waren: eine Viehherde unterwegs! Und sie kamen durch viele Orte.

” Was hast du mir denn aus S’rucuiú mitgebracht? ” fragte Chica.

” Ich hab’dir dieses Heiligenbild mitgebracht. “

Es war eine Mädchengestalt, ausgeschnitten aus einer Zeitung.

” Es ist hübsch. Hat’s der Bischof dir gegeben? “

” Ja. “

” Und für mich? Für mich? ” wollte Dito und der kleine Tomèsinho wissen.

Aber Miguilim hatte nichts mehr zu verschenken. Er steckte die Hand in die Tasche, fand aber nur ein Ende Draht, und ein paar Harzkügelchen, die er an einem Flussufer mit den Fingernägeln von der Borke eines Baumes abgekratzt hatte.

” Es war alles in einem Paket, allerhand Sachen… Aber es fiel in den Fluss, und das Wasser hat es verschlukt… In dem Fluss war ein Kaiman, riesengross… “

” Gelogen. Du lügst, und du kommst dafür in die Hölle ” sagte Drelina, die älteste, die um nichts gebettelt und abseits gestanden hatte.

” Ich komme nicht hinein, ich bin ja schon gefirmt. Aber ihr seid nicht gefirmt! “

” Wenn du gefirmt worden bist, wie heisst du dann? “

” Miguilim… “

” Dummkopf! Ich heisse Maria Adrelina Cessim Caz. Papa ist Nhô Bernardo Caz! Maria Francisca Cessim Caz, Expedito José Cessim Caz, Tomé de Jesus Cessim Caz… Und du bist Miguilim Dummkopf. ”
(…).

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Fonte: Rosa, João Gumarães. “Miguilim”. Von: —Corps de Ballet: Romanzyklus. Aus dem Portugieschen von Curt Meyer-Clason. Deutschland: Kiepenheuer e Witsch, 1966. p. 5-20.



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