ESCRITORES



Esaú e Jacob





Autor: Machado de Assis
Título: Esaúe Jacob, Esau and Jacob, Esaú e Jacob
Idiomas:
Tradutor: Estela dos Santos(esp), Helen Caldwell(eng)
Data: 29/12/2004

ESAÚ E JACOB

I
COISAS FUTURAS!

Machado de Assis

 

Dico, che quando l’anima mal nata…
Dante

Era a primeira vez que as duas iam ao morro do Castelo. Começaram a subir pela Rua do Carmo. Muita gente há no Rio de Janeiro que nunca foi lá, muita haverá morrido, muita mais nascerá e morrerá sem lá por os pés. Nem todos podem dizer que conhecem uma cidade inteira. Um velho inglês, que aliás andara terras e terras, confiava-me há muitos anos em Londres que de Londres só conhecia bem o seu clube, e era o que lhe bastava da metrópole e do mundo.
Natividades e Perpétua conheciam outras partes, além de Botafogo, mas o morro do Castelo, por mais que ouvissem falar dele e da cabocla que lá reinava em 1871, era-lhes tão estranho e remoto como o clube. O íngreme, o desigual, o mal calçado da ladeira mortificavam os pés às duas pobres donas. Não obstante, continuavam a subir, como se fosse penitência, devagarzinho, cara no chão, véu para baixo. A manhã trazia certo movimento; mulheres, homens, crianças que desciam ou subiam, lavadeiras e soldados, algum empregado, algum lojista, algum padre, todos olhavam espantados para elas, que aliás vestiam com grande simplicidade; mas há um donaire que se não perde, e não era vulgar naquelas alturas. A mesma lentidão do andar, comparada à rapidez das outras pessoas, fazia desconfiar que era a primeira vez que ali iam. Uma crioula perguntou a um sargento: “Você quer ver que elas vão à cabocla?” E ambos pararam a distância, tomados daquele invencível desejo de conhecer a vida alheia, que é muita vez toda a necessidade humana.
Com efeito, as duas senhoras buscavam disfarçadamente o número da casa da cabocla, até que deram com ele. A casa era como as outras, trepada no morro. Subia-se por uma escadinha, estreita, sombria, adequada à aventura. Quiseram entrar depressa, mas esbarraram com dois sujeitos que vinham saindo, e coseram-se ao portal. Um deles perguntou-lhes familiarmente se iam consultar a adivinha.

– Perdem tempo o seu tempo, concluiu furioso, e hão de ouvir muito disparate…

– É mentira dele, emendou o outro rindo; a cabocla sabe muito bem onde tem o nariz.
Hesitaram um pouco; mas, logo depois advertiram que as palavras do primeiro eram sinal certo da vidência e da franqueza da adivinha; nem todos teriam a mesma sorte alegre. A dos meninos de Natividades podia ser miserável, e então… Enquanto cogitavam, passou fora um carteiro, que as fez subir mais depressa, para escapar a outros olhos. Tinham fé, mas tinham também vexame da opinião, como um devoto que se benzesse às escondidas.
Velho caboclo, pai da advinha, conduziu as senhoras à sala. Esta era simples, as paredes nuas, nada que lembrasse o mistério ou incutisse pavor, nenhum petrecho simbólico, nenhum bicho empalhado, esqueleto ou desenho de aleijões. Quando muito um registro da Conceição colado à parede podia lembrar um mistério, apesar de encardido e roído, ma no metia medo. Sobre uma cadeira, uma viola.

– Minha filha já vem, disse o velho. As senhoras como se chamam?

Natividade deu o nome de batismo somente, Maria, como um véu mais espesso que o que trazia no rosto, e recebeu um cartão, – porque a consulta era só de uma, – com o número 1.012. Não há que pasmar do algarismo; a freguesia era numerosa, e vinha de muitos meses. Também não há que dizer do costume, que é velho e velhíssimo. Relê Ésquilo, meu amigo, relê as Eumênides, lá verás a Pítia, chamando os que iam à consulta: “Se há aqui Helenos, venham, aproximem-se, segundo o uso, na ordem marcada pela sorte”… A sorte outrora, a numeração agora, tudo é que a verdade se ajuste à prioridade, e ninguém perca a sua vez de audiência. Natividade guardou o bilhete e ambas foram à janela.
A falar a verdade, temiam o seu tanto, Perpétua menos que Natividade. A aventura parecia audaz, e algum perigo possível. Não ponho aqui os seus gestos: imaginai que eram inquietos e desconcentrados. Nenhuma dizia nada. Natividade confessou depois que tinha nó na garganta. Felizmente, a cabocla não se demorou muito, ao cabo de três ou quatro minutos, o pai trouxe pela mão, erguendo a cortina do fundo.

– Entra, Bárbara.

Bárbara entrou, enquanto o pai pegou a viola e passou ao patamar de pedra, à porta da esquerda. Era uma criaturinha leve e breve, saia bordada, chinelinha no pé. Não se lhe podia negar um corpo airoso. Os cabelos, apanhados no alto da cabeça por um pedaço de fita enxovalhada, faziam-lhe um solidéu natural, cuja borla era suprida por um raminho de arruda. Já vai nisto um ouço de sacerdotisa. O mistério estava nos olhos. Estes eram opacos, não sempre nem tanto que não fossem também lúcidos e agudos, e neste último estado eram igualmente compridos; tão compridos e tão agudos que entravam pela gente abaixo, revolviam o coração e tornavam cá fora, prontos para nova entrada e outro revolvimento. Não te minto que as duas sentiram tal ou qual fascinação. Bárbara interrogou-as; Natividade disse ao que vinha e entregou-lhe os retratos dos filhos e os cabelos cortados, por lhe haverem dito que bastava.

– Basta, confirmou Bárbara. Os meninos são seus filhos?

– São.

– Cara de um é cara de outro.

– São gêmeos; nasceram a pouco mais de um ano.

– As senhoras podem sentar-se.

Natividade disse baixinho à outra que “a cabocla era simpática”, não tão baixinho que esta não pudesse ouvir também; e daí pode ser que ela, receosa da predição, quisesse aquilo mesmo para obter um bom destino aos filhos. A cabocla foi sentar-se à mesa redonda que estava no centro da sala, virada para as duas. Pôs os cabelos e os retratos defronte de si. Olhou alternadamente para eles e para a mãe, fez algumas perguntas a esta, e ficou a mirar os retratos e os cabelos, boca aberta, sobrancelhas cerradas. Custa-me dizer que ascendeu um cigarro, mas digo porque é verdade, e o fumo concorda com o ofício. Fora, o pai roçava os dedos na viola, murmurando uma cantiga do sertão do Norte:

Menina da sai branca
Saltadeira de riacho…

Enquanto o fumo do cigarro ia subindo, a cara da adivinha mudava de expressão, radiante ou sombria, ora interrogativa, ora explicativa. Bárbara inclinava-se aos retratos, apertava uma madeixa de cabelos em cada mão; e fitava-as, e cheirava-as, e escutava-as, sem a afetação que porventura aches nesta linha.

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Fonte: 

ESAÚ Y JACOB

I
¡ Cosas futuras!

Machado de Assis

Dico, Che quando l’anina mal nata…
Dante

Era la primera vez que ambas iban al cerro del Castillo. Comenzaron a subir por el lado de la calle del Carmen. Hay en Río de Janeiro mucha gente que no ha ido nunca, mucha habrá muerto, mucha nacerá sin poner nunca los pies allí. No todos pueden decir que conocen una ciudad entera. Un viejo inglés que, sin embargo, infantigable viajero confesóme ha muchos años en Londres que de Londres sólo conocía bien su club, y que era cuanto necesitaba conocer de la metrópoli del mundo.
Natividad y Perpetua conocían otros sitios fuera de Botafogo; pero por mucho que oyeron hablar de él y de la indiecita que allí reinaba en 1871, el cerro del Castillo era para ellas tan extraño y lejano como el club. Lo áspero, lo desigual, lo mal pavimentado de la cuesta, mortificaba los pies de las pobres damas. No obstante, seguían subiendo, como por penitencia, despacito, con ojos en el suelo y el velo echado a la cara. La mañana provocaba cierto movimiento: hombres, mujeres, niños que bajaban o subían, lavanderas o soldados, uno que otro empleado, uno que otro comerciante, uno que otro sacerdote, las miraban sorprendidos aunque vistieran con mucha sencillez: hay un donaire que no se pierde y que no era común en aquellas alturas. La misma lentitud del andar comparada con la rapidez de los otros, hacía sospechar que iban allí por primera vez. Una criolla dijo a un sargento:

– ¡Ya verá cómo van a casa de la india!

Y ambos se detuvieron a cierta distancia, invadidos por el invencible deseo de conocer vidas ajenas, que constituye muchas veces toda la necesidad humana.
Las dos señoras buscaban en efecto, disimuladamente, el número de la casa de la india. Por fin lo encontraron. La casa estaba, como las demás, trepada en el cerro. Subíase a ella por una escalerilla estrecha, sombría, adecuada a la aventura. Quisieron entrar de prisa; pero tropezarón con dos sujetos que salían, y que tuvieron que pegarse al portal. Uno de ellos les preguntó familiarmente si iban a consultar a la adivina.

– Pierden el tiempo- agregó furioso, – y van a oír muchos disparates.

– ¡Mentira!- corrigió el otro, riendo. – La india sabe perfectamente dónde tiene las narices.
Las damas vacilaron un tanto; pero luego calcularon que las palabras del primero eran segura señal de clarividencia y franqueza de la adivina: todos no pueden tener la misma suerte. La de los hijitos de Natividad podía ser desgraciada, y en ese caso… Mientras meditaban pasó un cartero, que las hizo subir más de prisa, para escapar a otras miradas. Tenían fe; pero también tenían verguenza del qué dirían, como un devoto que se persignase a las escondidas.
Un indio viejo, padre de la adivina, la condujo a la sala. Ésta era sencilla, de paredes desnudas, sin nada que evocase misterio, ni infundiese pavor, adorno simbólico, animal disecado, esqueleto ni dibujo de miembros enfermos. Cuando mucho, una imagen de la Concepción pegda a la pared podía recordar un misterio, aunque estuviese mohosa y destrozada; pero no daba miedo. Sobre una silla, una guitarra.

– Mi hija viene enseguida- dijo el viejo- ¿Cómo se llaman las señoras?

Natividad dio su primer nombre solamente – María- como un velo más espeso que el de la cara, recibió una tarjeta, porque ella solo consultaba con el número 1,012. No hay que asustarse de la cifra: la clientela era numerosa y partía de muchos meses atrás. Tampoco hay que hablar de la costumbre, que es vieja, viejísima. Vuelve a leer a Esquilo, amigo mío, vuelve a leer Euménides, y allí verás a la Pitia llamando a los que iban a consultarla.

– Si hay aquí Helenos, vengan, acérquense, como es uso, en el orden determinado por la suerte…

La suerte antiguamente, la numeración ahora; todo es que la verdad se ajuste a la prioridad, y que nadie pierda su turno en la audiencia. Natividad guardó la tarjeta, y ambas se acercaron a la ventana.
A decir verdad, no dejaban de tener su poquito de miedo, Perpetua menos que Natividad. La aventura parecíales audaz, y posible algún peligro. No describo sus ademanes: imagina que eran inquietos e incoherentes. Ninguna decía nada. Natividad confesó después que sentía un nudo en la garganta. Por suerte la adivina no tardó mucho; al cabo de tres ó cuatro minutos el padre la introdujo de la mano, levantando la cortina del fondo.

– Entra, Bárbara.

Bárbara entró, mientras su padre tomaba la guitarra y se iba al corredor de piedra. Era una muchachita leve y breve, de saya bordada y chinelas en los pies. No podía negársele un cuerpo airoso. Los cabellos, atados en lo alto de la cabeza con un pedazo de cinta aceitosa, formábanle un solideo natural cuya borla suplía un ramito de ruda. Ya en esto hay algo de sacerdotisa. El misterio estaba en los ojos. Éstos eran opacos, no siempre ni tanto que no fuesen también lúcidos y penetrantes, y en este último estado eran hermosos también; tan hermosos y tan penetrantes, que entraban por el cuerpo abajo, revolvían el corazón y salían otra vez, prontos para una nueva entrada y otro revoltijo. No te miento al decir que ambas señoras sintieron cierta fascinación. Bárbara las interrogó; Natividad dijo a lo que iba, y le entregó los retratos, según le dijeran.

– Sí, basta- confirmó Bárbara. – ¿Son hijos suyos estos niños?

– Sí.

– Los dos tienen la misma cara.

– Son gemelos. Nacieron hace poco más de un año.

– Siéntense ustedes.

Natividad dijo muy quedo a su compañera que “la muchacha era simpática”; pero no tan quedo que ésta pudiese oírla también, y aun puede ser que, temerosa de la predicción, lo hiciese de intento por obtener un buen destino para sus hijos. La indiecita fue a sentarse a una mesa redonda que se hallaba en el centro de la habitación, vuelta hacia ellas. Púsose delante los retratos y los cabellos. Miró alternativamente a éstos y a la madre, hizo algunas preguntas y luego se quedó contemplando retratos y cabellos con la boca abierta y las cejas juntas. Cuéstame decir que encendió un cigarro; pero lo que digo porque es la verdad y porque el humo concuerda con el oficio. Afuera, el padre rozaba las cuerdas de la guitarra, murmurando una canción de los bosques del Norte:

Niña de la saya blanca
Que saltas los arroyuelos…

Mientras iba subiendo el humo del cigarro, la cara de la adivina cambiaba de expresión, ya sombría, ya radiosa, ora interrogante, ora explicativa. Bárbara se inclinaba hacia los retratos, oprimía un rizo en cada mano, y los miraba, los olía, los escuchaba, sin afectación que quizá halles en estas líneas.

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Fonte: ASSIS, Machado de. Esaú y Jabob. Traducción de Estela dos Santos.Buenos Aires: Biblioteca de La Nación, 1905. (pg:09 a14).

 

Esau and Jacob


I. Things Fated to Be

Machado de Assis

It was the first time they had ever gone to the Morro do Castello. The began to climb from the Rua do Carmo side. There are many people in Rio de Janeiro who have never gone there, many n doubt have died, many more will be born and die without ever once setting foot on that rock. Not everyone can say they know a whole city. An old Englishman who had wandered widely over other lands confided to me many years ago in London that all he really knew of London was his club and it was all needed to know – of the metropolis and of the world.
Natividade and Perpetua knew other neighborhoods besides Botafogo, but the castle tock, Morro do Castello, for all the talk there had been about it and about the cabocla that reigned there in 1871, was as strange to them, as remote, as the Englishman´s club. The stupness, the unevenness of the cobblestones mortified the poor ladies´ feet. Still, they continued to climb, as if it were a penance, slowly, eyes on the ground, with lowered veil. The morning was filled with a certain bustle: women, men, children, going up, coming down, washer-women and soldiers, a clerk, a shopkeeper, a priest, all looked at them in amazement. Though they were simply dressed, still, there is a certain ladylike air that cannot be concealed, and it was not common there on high. Even the slowness of their gait, compared with the briskness of other people, made on suspect that this was the first time they had come.
A negress said to a sergeant, “Wait and see if they don´t go to the cabocla’s!” And both stopped at a distance, overpowered by that invincible desire to pry into the lives of others, which is often all a man wants here below.
As a matter of fact, the two ladies were covertly looking for the number of the cabocla´s house. Finally, they found it. Like the other houses, it, too, climbed the hillside, and was approached by a little stairway narrow, shadowy, suited to an adventure. They had intended to slip in quickly, but there way was blocked by a couple of men coming out, and they shrank back against the wall of the house.
One fo the men asked them in a familiar manner if they were going to consult the fortuneteller. “You are wasting your time”, he added furiously, “you will only hear a lot of nonsense”.
“It´s a big lie”, the other mand said with a laugh. “The cabocla knows very well what he is up to”.
They hesitated a moment. Then they decided that the first man´s remark was a sure sign of the clairvoyance of the fortuneteller; not all could have the same happy lot. But the lot of Natividade´s babies might be wretched, and then… While they paused in thought, a postman came by, and this made them go up the steps more quickly, to escape further curious glances. They had faith, but they also had a fear of public opinion, like a devote man who blesses himself in secret.
An old caboclo, the father of the fortuneteller, showed them into the parlor. It was a simple room: bare walls, nothing to suggest mystery or inspire fear, no symbolic gear, neither stuffed creature nor skeleton, or picture of mosntrosities. A copy of the Dogma of the Imaculate Conception, stuck up on the wall, might suggest a mystery, even in its grimy, frayed condition – but it did not inspire fear. There was a little guitar lying on a chair.
“My daughther is coming”, said the old man. “What are Natividade gave only her Christian name Maria, as a veil still thicker than the one she wore over her face, and received a card – the appointment was for but one – with the number I, 012. There is no need to be astonished at the figure, the patronage was heavy and went back for many months. Neither is it necessary to comment on the custom, which is ancient. Reread Aechylus, my friend, reread The Eumenides, there you will find the Pythia calling those who came to consult the oracle: “If there are Hellenes present, come, approach in the customary way, in the order appointed by lot…”By lot in the old days, by numbers now; the main thing is that truth conform to priority and that no one lose his turn for an audience. Natividade put away the ticket, and the two women went to the window.
To tell the truth, they were a little fearful. Perpetua less so than Natividade. The adventure seemed bold, and possibly dangerous. I won’t describe their looks and gestures. You can imagine, they were uneasy and restless. Neither said a word. Natividade later confessed she had a lump in her throat. Happily, the cabocla did nor keep them waiting. At the end of three or four minutes, her father led her in by the hand, raising the curtain at the back of the room.
“Enter, Barbara.”
Barbara entered, while her father picked up the guitar and went out to the stone landing thought a door to the left. She was a light little thing, her skirt bordered with lace, a tiny slipper on her foot you could not deny she had an airy, elegant figure. Her hair caught up on the top of her head with a bit of crumpled ribbon made a natural zucchetto, whose tassle was supplied by a sprig of white rue. Here we have a touch of the priestess. The mystery was in her eyes. They were opaque. Yet not completely so, nor so much so that they were nor sometimes clear and sharps, and then they were also intense – so intense, so sharp that they entered deep inside a person, rummaged in his heart, and returned, ready to do it all over again. I do not exaggerate when I say that the two women felt a kind of fascination. Barbara questioned them. Natividade told why she had come, and handed her son’s pictures and loks of their hair, since, she said she had been told this would be all that was necessary.
“It is”, Barbara assured her “The babies are your sons?”
“Yes”.
“The face of one is the face of the other.”
“They are twins. They were born a little over a year ago.”
“You may sit down, ladies.”
Natividade said to her sister in a low voice that the cabocla was “friendlier”. Not in such a low voice, however, that the cabocla could not hear. Perhaps Natividade feared the prophecy and wanted to make sure of a favorable destiny for her sons. The cabocla went and sat down at a round table in the center of the room, and facing the two women. She placed the locks of hair and the pictures before her. By turns she looked at these and at the mother, asked the latter several questions, then remained staring at the pictures and the locks of hair, her lips parted, her brows drawn together. It pains to say that she lit a cigarette, but I must say it, because it is the truth, and the smoke accords with the rites. Outside, her father drew his fingers across the guitar and softly sang a ballad of the tropic Northern Wilderness:

Naiad with skirts of white…
Over the stream with a leap…

While the smoke from the cigarette curled upward, the face of the fortuneteller changed expression radiant, somber, now questioning, now full of answers. As she leaned over the pictures, she clasped the locks of hair in either hand, and held them to her face, staring at them, smiling them, listening to them. And none of this seemed strange or ridiculous, as it does in the telling.

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Fonte: ASSIS, Machado de. Esau and Jacob. Translated by Helen Caldwell. London: Peter Owen, 1966. p. 5-10



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