Revista LitCult - Vol.7- 2008



DIÁLOGOS ENTRE JOSÉ SARAMAGO E JEAN-PAUL SARTRE – Pedro Fernandes de Oliveira Neto





DIÁLOGOS ENTRE JOSÉ SARAMAGO

E JEAN-PAUL SARTRE

 

 

 

Pedro Fernandes de Oliveira Neto

Universidade do Estado do Rio Grande

do Norte (UERN)

O que me motiva esta relação de dois “S” europeus vem muito antes de meu primeiro contato com O conto da ilha desconhecida. Vem do contato mais específico com as discussões em torno do pensamento sartriano, denominado O ser e o nada. Desde já parece haver entre os dois – Saramago, escritor português, nobelizado em 1998 e Sartre, escritor e pensador francês, nobelizado em 1964 – elementos que além desses sublimes traços biográficos por si só justificam a necessidade ou proposta duma leitura de um através do outro. E é isso a que me proponho neste texto acerca do texto saramaguiano O conto da ilha desconhecida, publicado em 1997. Trata-se, pois, duma leitura espelhar em que buscarei a compreensão da constituição na referida obra saramaguiana pelas vias do existentialisme de Jean-Paul Sartre.

Cito, antes, os elementos comuns entre ambos de que mencionei acima. O primeiro é que o escritor português prima por uma literatura que reflita a história, a realidade e as inúmeras questões acerca do homem contemporâneo, sua existência e sua essência em suas mais diversas dimensões; e isto muito se aproxima do engagement sartriano, segundo o qual o escritor e, conseqüentemente a Literatura, têm o caráter de “desvendar o mundo e especialmente o homem para os outros homens, a fim de que estes assumam em face do objeto, assim posto a nu, a sua inteira responsabilidade” (Sartre, apud Souza, s/d).

O segundo é o estilo saramaguiano de romancista. Sua escrita encontra-se ancorada num relato de curto fôlego, uma escrita que prima a (re)criação, seja a partir do fundir de gêneros, seja do cruzamento da oralidade com o plano da escrita – e aqui remeto aos romances escritos a partir de Levantado do chão, de 1980. Esse caráter novo dado ao romance, diz Sartre, dota-o, logo também a ficção, de um universo outro. Este romance, esta ficção a que estamos acostumados e que teve seus moldes na sociedade burguesa do século XVIII, mas precisamente no Romantismo, já não mais existe, o que existe, é o que o pensador francês chama de naif.

O terceiro – e aqui busco os subsídios à leitura a que me proponho – trata-se do pensamento saramaguiano. Este parece nutrir-se ou carregar reflexos, estilhaços do movimento existencialism precursionado por Jean-Paul Sartre. Digo isso por enxergar em pensamentos do escritor português, como: “Eu não sou pessimista, o mundo que é péssimo” (Saramago, 2004, não paginado) ou, “Como será possível acreditar num Deus criador do universo se o mesmo criou a espécie humana? Por outras palavras, a existência do homem, precisamente é o que prova a inexistência de Deus” (Saramago, apud Amaral Jr., 2007, não paginado) algo como em Sartre, “O mundo pode passar sem literatura. Mas pode passar ainda melhor sem o homem” (Sartre citado por Souza, 2007, p. 42), “Quando concebemos um Deus criador, esse Deus identificamo-lo quase sempre como um artífice superior (…) e Deus produz o homem segundo técnicas e uma concepção, exatamente como o artífice fabrica um corta-papel” (Sartre, 1978, p. 05). Nessa relação de pensamentos me parece haver uma proximidade em ambos os modos de pensar, reforçando em Saramago uma abordagem existencialista que considera o homem como ente finito e limitado nas suas capacidades, responsável, também, por suas escolhas e suas responsabilidades. Noutras palavras, nele se deposita tudo, a crença/descrença da/na sua figura.

Ao estabelecer estas relações parece-me necessário compreender ou buscar entender a posição e a composição do ser saramaguiano na sua escrita. Isto é, o valor a que atribuo esta discussão centra-se no fato de evidenciar as questões que dizem respeito ao ser no corpo da escrita do escritor português, recobrando o caráter de que a literatura na realidade em que se insere é palco de todas as vozes (polifonia bakhtiniana), tomando por missão refletir acerca desta realidade e quebrar a linearidade discursiva valendo-se de territórios outros das ciências humanas. Constituir uma leitura de cunho filosófico para o texto saramaguiano não é apenas para descobrir e nutrir-se de novos enunciados e/ou doutrinas, como uma obra artística portátil de verdades ou a elas volátil. Mas, o trato para com a literatura enquanto “documento na história das idéias e da filosofia, pois a história literária é paralela à história intelectual e a reflete” (Warren e Wellek, 2003, p. 139). Vou mais adiante, a literatura não só reflete, mas funda outras realidades, haja vista que o olhar literário coloca-se como que espelhos virados para dentro (SEIXO, 1996), isto é, ao mesmo tempo em que reflete a realidade este reflexo é a realidade outra.

Este refletir e fundar outras realidades se dá através do campo semântico da palavra. É o signo lingüístico semantizado, grávido em suas órbitas de sememas, a força motriz que rege este universo em que humanos de tinta e papel se situam. Ao tratar da palavra grávida de sentidos refiro-me à força maior, primordial e fundamental nessa constituição da realidade em si (reflexo) e ao mesmo tempo realidade outra. Refiro-me à metáfora. E é sob o signo da metáfora que entendendo Saramago e sua escrita, uma escrita que se dobra sobre si mesma. É neste vínculo cíclico da linguagem que me lanço à leitura do ser no conto em questão. A perspectiva existencialista do filósofo francês Jean-Paul Sartre é o meu aporte teórico, o apêndice de onde através de outras leituras (cito Abbagnano, 2001; Sass, 2007; Moutinho, 1995; entre outros sartrianos) busco traços à compreensão dessas reflexões.

Agora, se faz necessário para esse dialogar a apresentação desse território onde imprimirei minhas marcas e impressões, visto que é do corpo tatuado da ficção que me faço interlocutor, pressupondo haver entre eu e o texto uma interação ou feixes de diálogos para com ele. As rotas que estabeleço para essa leitura em Saramago estão delimitadas, conforme já expus, pelas fronteiras da metáfora maior que é este conto. Sua apresentação se faz necessária não apenas por isso, é que é nesse percurso, no movimento da própria narrativa em que penetro a fim de incutir minhas marcas.

Semelhante a uma parábola este conto se apresenta como um fato que se desdobra em dois movimentos no corpo narrado. O primeiro acontece de homem que bate à porta de um rei para pedir um barco no intuito de encontrar uma ilha desconhecida. O segundo marca-se a partir da concessão do pedido, a busca e o sonho, marcadores da tentativa de encontrar a ilha desconhecida.

Será nessa trajetória de busca, nesse lançar-se da personagem ao mundo, que centro minhas atenções, porque enxergo nelas, a personagem e sua trajetória, as molas propulsoras do texto saramaguiano e também onde poderei compreender a constituição do ser pela ótica sartriana. Esse roteiro ou rota dá-se num conjunto de imagens compósitas de um grane painel, que é o conto; estas imagens nada mais são que seis momentos distintos e, ao mesmo tempo imbricados que a seguir enumero-os: (i) o pedido do barco; (ii) a concessão do pedido; (iii) a saída pela porta das decisões da mulher da limpeza e seu abraçar a idéia do homem do barco; (iv) a limpeza do barco; (v) a busca por marinheiros; e (vi) a descoberta, depois do sonho, da realidade, da busca e da ilha desconhecida. É a costura desse trajeto que me interessa nesta leitura.

Assim sendo recorto o momento (i) que me parece necessário para entender o caráter da apresentação da personagem, momento em que ela se coloca para além, diante de um enigma – a ilha desconhecida:

Que ilha desconhecida, perguntou o rei disfarçando o riso, como se tivesse na sua frente um louco varrido, a quem não seria bom contrariar logo de entrada, A ilha desconhecida, repetiu o homem, Disparate, já não há ilhas desconhecidas, Estão todas nos mapas, Nos mapas só estão as ilhas conhecidas, E que ilha desconhecida é essa de que queres ir à procura, Se eu to pudesse dizer, então não seria desconhecida, A quem ouviste tu falar dela, perguntou o rei agora mais sério, A ninguém, Nesse caso, por que teimas em dizer que ela existe, Simplesmente porque é impossível que não exista uma ilha desconhecida, E vieste aqui para me pedires um barco, Sim, vim aqui para pedir-te um barco (O conto da ilha desconhecida, p. 17-18).

A personagem é posta e exposta ao veneno catatônico e paralisante das possibilidades humanas (a maior delas na figura do rei, centrada no comodismo, adiante veremos que não será apenas ele). A personagem é manifestada sob um indeterminismo, sob uma insignificância que nela se constrói como significante e determinismo ao projetar no pedido do barco sua busca pela ilha desconhecida:

E tu quem és, para que eu to dê, E tu quem és, para que não mo dês, Sou o rei deste reino, e os barcos do reino pertencem-me todos, Mais lhes pertencerás tu a eles do que eles a ti, Que queres dizer, perguntou o rei inquieto, Que tu, sem eles, és nada, e que eles, sem ti, poderão sempre navegar, Às minhas ordens, com os meus pilotos e os meus marinheiros, Não te peço marinheiros nem piloto, só te peço um barco (p. 18).

Ao apenas demarcar a personagem central sem uma nomenclatura própria está intrínseca nessa forma esfarelada da personagem o procurar do escritor na constituição do homem e as estruturas fundamentais do ser; uma busca pela compreensão existencial “do quem somos”, “para onde vamos”. As marcas ausentes duma descrição, da especificidade das personagens, debilitadas ou mutiladas por um nome próprio e delimitadas apenas por seus papéis sociais recobra o caráter de um escritor pouco preocupado com o que há de mais imediato ou de supérfluo no ser humano, isto leva-nos a inferir que, reside no fosso do ser sua preocupação.

O pedido do barco por um simples homem comum a um rei, funda um espectro de ser que é livre, cujas responsabilidades por seus atos (o de desafiar o rei, por exemplo) e a subjetividade (o da crença na ilha desconhecida) convergem para a construção de ser único; a maestria nos seus atos e no seu destino será o que o constrói/constitui enquanto ser existencialista que enxergo. O homem que queria um barco é livre, produto de suas escolhas e seu corpo liga-se ao mundo através da consciência (aqui, fujo do cartesianismo “Penso, logo existo”) uma vez que ele se vai constituindo enquanto ser nessa relação. Tanto que as conquistas representam espécies de anéis modelares do ser. Isto é, o homem é seus atos e aqui justifico com a forma como o narrador compõe sua personagem central: num dado momento narrativo é ele o homem queria um barco (p. 9); noutro, o homem que ia receber o barco (p. 20); e, o homem do leme (p. 56); ou, por fim, apenas o homem (p. 62). A concessão do pedido (momento ii) é o que traceja as linhas do ser no corpo da obra e leio esta cena como a libertação da consciência de seu estado fixo, o estado comum, para o seu lançar-se ao mundo.

Nessa viagem o caráter de liberdade parece se manifestar enquanto condição necessária ao descobrimento do ser enquanto ser. Digo isso para introduzir aqui o caráter simbólico que remete a essa importância o momento (iii). O momento em que a mulher da limpeza, para aderir à busca pela ilha desconhecida, tem a necessidade de sair pela porta das decisões. Sublinho o valor semântico intrínseco nessa cena e reforço minha compreensão no entendimento de que nesse conto as personagens se relacionam como que consciência-mundo. Nessa saída do castelo reside a saída da própria consciência para o mundo a fim de constituir-se enquanto consciência, corroborando Sartre, “o eu não é um habitante da consciência, mas sim do fora, no mundo” (cit. in Moutinho, 1995, p. 81). Isso também é válido para a cena anterior se compreendo o diálogo do homem que queria um barco com o rei, incutindo o rei duma simbologia na qual ele pode ser lido com o próprio ser carregado da expectativa de/por lançar-se ao mundo em busca do desconhecido; o rei como uma espécie manifesta de ser-outro que está fixo no inconsciente da personagem, o responsável pelo impulso, pela tomada de decisão já, de certa forma, estabelecida. A metáfora maior reside no que o que parece ser a busca das personagens, o que elas procuram reside fora do discurso escrito e da realidade porque o que elas procuram é o mundo e o que irão encontrar nada mais será do que o mundo particular, ou seja, a metáfora maior é a do ser-ilha.

Quando o homem levantou a cabeça, supõe-se que desta vez é que iria agradecer a dádiva, já o rei se tinha retirado, só estava a mulher da limpeza a olhar para ele com cara de caso. O homem desceu do degrau da porta, sinal de que os outros candidatos podiam enfim avançar (…). A aldraba de bronze tornou a chamar a mulher da limpeza, mas a mulher da limpeza não está, deu a volta e saiu com o balde e a vassoura por outra porta, a das decisões, que é raro ser usada, mas quando o é, é. (p. 23)

Esta saída da mulher da limpeza pela porta das decisões funda outro caráter: o papel do outro nessa empreitada do constituir-se, estando no outro a dimensão outra a mim necessária para ser, consoante o pensamento heideggeriano. E é com este caráter que emendo outra cena, a (iv), a do momento de limpeza do barco:

Atirou para a água os ninhos vazios, quanto aos outros deixou-os ficar, até ver. Depois arregaçou as mangas e pôs-se a lavar a coberta. Quando acabou a dura tarefa, foi abrir o paiol das velas e procedeu a um exame minucioso do estado das costuras, depois de tanto tempo sem irem ao mar e sem terem de suportar os esticões saudáveis do vento (p. 34).

Sem a figura do feminino vejo que o caráter de extensividade ou complementaridade do ser estariam abalados. Mas, não apenas isso, ela é a figura catalisadora de todo processo de criação, havendo nela uma espécie de força mediadora à profícua realização da busca do autoconhecimento da personagem masculina.

Noutra empreitada recobro a busca do homem do barco por marinheiros que o ajudassem na sua busca (cena v). A negação por parte de todos ao dizê-lo que não há mais ilhas por conhecer parece frear esse caráter de liberdade da consciência. Mas não. Não compreendo que esta personagem deixe-se balizar por este aspecto. A liberdade da qual trata Sartre e em que me apóio não é aquela do obter o que se quer, mas a do querer autonomamente, determinar-se a si mesmo. E isso é o que a meu ver nestas personagens residem; para elas é o querer descobrir a ilha desconhecida e não o poder o que as fazem crer na busca ou necessidade pela ilha desconhecida. Dito isso chego ao desfecho do conto, marcado pelo tom poético saramaguiano. E chegando ao desfecho do conto, chego também ao desfecho desse texto:

Desde que a viagem à ilha desconhecida começou que não se vê o homem do leme comer, deve ser porque está a sonhar, apenas a sonhar, e se no sonho lhe apetece um pedaço de pão ou uma maçã, seria um puro invento, nada mais. As raízes das árvores já estão penetrando no cavername, não tarde que estas velas içadas deixem de ser precisas, bastará que o vento sobre nas copas e vá encaminhando a caravela e seu destino. É uma floresta que navega e se balanceia sobre as ondas, uma floresta onde, sem saber-se como, começavam a cantar pássaros, deviam está escondidos por aí e de repente decidiram sair à luz, talvez porque a seara já esteja madura e é preciso ceifá-la. Então o homem trancou a roda do leme e desceu ao campo com a foice na mão, e foi querendo ao lado da sombra. Acordou abraçado à mulher da limpeza, e ela a ele, confundidos os corpos, confundidos os beliches, que não se sabe se é este o de bombordo ou de estibordo. Depois, mal o sol acabou de nascer, o homem e a mulher foram pintar a proa do barco, de um lado e do outro em letras brancas, o nome ainda faltava dar à caravela. Pela hora do meio-dia, com a maré, A Ilha Desconhecida fez-se enfim ao mar, à procura de si mesma (p. 61-62).

Enquanto texto que se assemelha ao fluxo duma parábola o comportamento metafórico da personagem principal pode preencher a ótica em que a vontade, o livre querer, é a marca do desejo por conseguir algo, estando esta ancorada ao plano da simplicidade. Entre o desejo por um barco e tê-lo pronto para partir, entre o buscar o outro e o encontro com a mulher da limpeza, o viajante vai de certo modo alterando a idéia que faz de si e do outro. É com certeza o que o faz constituir-se. É o que o torna mais apto a obter o que sonhou.

As linhas que demarcam a constituição do ser saramaguiano neste conto são as mesmas que demarcam a existência do homem no mundo. A partir delas posso inferir vários questionamentos: como o que buscamos nós os humanos durante a vida inteira – a verdade, a felicidade? Ou ainda, por que sempre buscamos nesse movimento dialético? “A ilha desconhecida somos nós”, diz Saramago, a ilha desconhecida é o que nos leva esse lançar-se ao mundo, é o limite do processo de busca constante do ser para ser, uma busca que se dá numa aventura até fátua, rumo ao desconhecido que somos nós próprios.

REFERÊNCIAS

ABBAGNANO, Nicola. História da filosofia. vol. 12. 4. ed. Lisboa: Editorial Presença, 2001.

AMARAL JR., José de Almeida. Intelectual luso cria fundação para defender Direitos Humanos e Meio Ambiente. Notas Quotidianas. In Jornal Mundo Lusíada, 05/07/2007.

MOUTINHO, Luiz Damon S. Sartre – existencialismo e liberdade. São Paulo: Moderna, 1995. (coleção Logos).

SARAMAGO, José. A ditadura disfarçada. Jornal do Brasil, 20/03/2004.

SARAMAGO, José. O conto da ilha desconhecida. 20 ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

SARTRE, Jean-Paul. O existencialismo é um humanismo. In: Os pensadores – Sartre. São Paulo: Abril S.A. Cultural, 1978, p. 01-32.

SASS, Simeão Donizeti. O eu é um outro: o ego como objeto psíquico transcendente. Revista Mente-cérebro e filosofia. vol. 5. Ed. especial. São Paulo: Duetto Editorial, 2007, p. 41-47.

SEIXO, Maria Alzira. Os espelhos virados para dentro – configurações narrativas do espaço e do imaginário em Ensaio sobre a cegueira In: Giulia Lanciani (org.) José Saramago – Il Bagaglio dello scrittore. Roma: Bulzoni Editore, 1996, p. 191-210.

SOUZA, Thana Mara de. Além das palavras. Discutindo filosofia – Sartre, a consciência, o homem e a condenação à liberdade. São Paulo: Escala Editorial, ano 1, n. 2, p. 41-43.

WELLEK, René; WARREN, Austin. Teoria da literatura e metodologia dos estudos literários. São Paulo: Martins Fontes, 2003



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