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A SEGUNDA VIDA





Autor: Machado de Assis
Título: A SEGUNDA VIDA
Idiomas: port
Tradutor: –
Data: 09/02/2006

A SEGUNDA VIDA

 

 

Machado de Assis

 

 

Monsenhor Caldas interrompeu a narra??o do desconhecido:

? D? licen?a? ? s? um instante.

Levantou-se, foi ao interior da casa, chamou o preto velho que o servia, e disse-lhe em voz baixa:

? Jo?o, vai ali ? esta??o de urbanos, fala da minha parte ao comandante, e pede-lhe que venha c? com um ou dous homens, para livrar-me de um sujeito doudo.

Anda, vai depressa.

E, voltando ? sala:

? Pronto, disse ele; podemos continuar.

? Como ia dizendo a Vossa Reverend?ssima, morri no dia vinte de mar?o de 1860, ?s cinco horas e quarenta e tr?s minutos da manh?. Tinha ent?o sessenta e oito anos de idade. Minha alma voou pelo espa?o, at? perder a terra de vista, deixando muito abaixo a lua, as estrelas e o sol; penetrou finalmente num espa?o em que n?o havia mais nada, e era clareado t?o-somente por uma luz difusa.

Continuei a subir, e comecei a ver um pontinho mais luminoso ao longe, muito longe. O ponto cresceu, fez-se sol. Fui por ali dentro, sem arder, porque as almas s?o incombust?veis. A sua pegou fogo alguma vez?

? N?o, senhor.

? S?o incombust?veis. Fui subindo, subindo; na dist?ncia de quarenta mil l?guas, ouvi uma deliciosa m?sica, e logo que cheguei a cinco mil l?guas, desceu um enxame de almas, que me levaram num palanquim feito de ?ter e plumas. Entrei da? a pouco no novo sol, que ? o planeta dos virtuosos da terra. N?o sou poeta, monsenhor; n?o ouso descrever-lhe as magnific?ncias daquela est?ncia divina.

Poeta que fosse, n?o poderia, usando a linguagem humana, transmitir-lhe a emo??o da grandeza, do deslumbramento, da felicidade, os ?xtases, as melodias, os arrojos de luz e cores, uma cousa indefin?vel e incompreens?vel. S? vendo. L? dentro ? que soube que completava mais um milheiro de almas; tal era o motivo das festas extraordin?rias que me fizeram, e que duraram dois s?culos, ou, pelas nossas contas, quarenta e oito horas. Afinal, conclu?das as festas, convidaram-me a tornar ? terra para cumprir uma vida nova; era o privil?gio de cada alma que completava um milheiro. Respondi agradecendo e recusando, mas n?o havia recusar. Era uma lei eterna. A ?nica liberdade que me deram foi a escolha do ve?culo; podia nascer pr?ncipe ou condutor de ?nibus. Que fazer? Que faria Vossa Reverend?ssima no meu lugar?

? N?o posso saber; depende…

? Tem raz?o; depende das circunst?ncias. Mas imagine que as minhas eram tais que n?o me davam gosto a tornar c?. Fui v?tima da inexperi?ncia, monsenhor, tive uma velhice ruim, por essa raz?o. Ent?o lembrou-me que sempre ouvira dizer a meu pai e outras pessoas mais velhas, quando viam algum rapaz: ? ?Quem me dera aquela idade, sabendo o que sei hoje!? Lembrou-me isto, e declarei que me era indiferente nascer mendigo ou potentado, com a condi??o de nascer experiente.

N?o imagina o riso universal com que me ouviram. J?, que ali preside a prov?ncia dos pacientes, disse-me que um tal desejo era disparate; mas eu teimei e venci.

Da? a pouco escorreguei no espa?o: gastei nove meses a atravess?-lo at? cair nos bra?os de uma ama de leite, e chamei-me Jos? Maria. Vossa Reverend?ssima ? Romualdo, n?o?

? Sim, senhor; Romualdo de Sousa Caldas.

? Ser? parente do padre Sousa Caldas?

? N?o, senhor.

? Bom poeta o padre Caldas. Poesia ? um dom; eu nunca pude compor uma d?cima. Mas, vamos ao que importa. Conto-lhe primeiro o que me sucedeu; depois lhe direi o que desejo de Vossa Reverend?ssima. Entretanto, se me permitisse ir fumando…

 

Monsenhor Caldas fez um gesto de assentimento, sem perder de vista a bengala que Jos? Maria conservava atravessada sobre as pernas. Este preparou vagarosamente um cigarro. Era um homem de trinta e poucos anos, p?lido, com um olhar ora mole e apagado, ora inquieto e centelhante. Apareceu ali, tinha o padre acabado de almo?ar, e pediu-lhe uma entrevista para neg?cio grave e urgente. Monsenhor f?-lo entrar e sentar-se; no fim de dez minutos, viu que estava com um lun?tico.

Perdoava-lhe a incoer?ncia das id?ias ou o assombroso das inven??es; pode ser at? que lhe servissem de estudo. Mas o desconhecido teve um assomo de raiva, que meteu medo ao pacato cl?rigo. Que podiam fazer ele e o preto, ambos velhos, contra qualquer agress?o de um homem forte e louco? Enquanto esperava o auxilio policial, Monsenhor Caldas desfazia-se em sorrisos e assentimentos de cabe?a, espantava-se com ele, alegrava-se com ele, pol?tica ?til com os loucos, as mulheres e os potentados.

Jos? Maria acendeu finalmente o cigarro, e continuou: ? Renasci em cinco de janeiro de 1861. N?o lhe digo nada da nova meninice, porque a? a experi?ncia teve s? uma forma instintiva. Mamava pouco; chorava o menos que podia para n?o apanhar pancada. Comecei a andar tarde, por medo de cair, e da? me ficou uma tal ou qual fraqueza nas pernas. Correr e rolar, trepar nas ?rvores, saltar pared?es, trocar murros, cousas t?o ?teis, nada disso fiz, por medo de contus?o e sangue. Para falar com franqueza, tive uma inf?ncia aborrecida, e a escola n?o o foi menos. Chamavam-me tolo e moleir?o. Realmente, eu vivia fugindo de tudo. Creia que durante esse tempo n?o escorreguei, mas tamb?m n?o corria nunca. Palavra, foi um tempo de aborrecimento; e, comparando as cabe?as quebradas de outro tempo com o t?dio de hoje, antes as cabe?as quebradas. Cresci; fiz-me rapaz, entrei no per?odo dos amores… N?o se assuste; serei casto, como a primeira ceia. Vossa Reverend?ssima sabe o que ? uma ceia de rapazes e mulheres?

? Como quer que saiba?…

? Tinha dezenove anos, continuou Jos? Maria, e n?o imagina o espanto dos meus amigos, quando me declarei pronto a ir a uma tal ceia… Ningu?m esperava tal cousa de um rapaz t?o cauteloso, que fugia de tudo, dos sonos atrasados, dos sonos excessivos, de andar sozinho a horas mortas, que vivia, por assim dizer, ?s apalpadelas. Fui ? ceia; era no Jardim Bot?nico, obra espl?ndida. Comidas, vinhos, luzes, flores, alegria dos rapazes, os olhos das damas, e, por cima de tudo, um apetite de vinte anos. H? de crer que n?o comi nada? A lembran?a de tr?s indigest?es apanhadas quarenta anos antes, na primeira vida, fez-me recuar.

Menti dizendo que estava indisposto. Uma das damas veio sentar-se ? minha direita, para curar-me; outra levantou-se tamb?m, e veio para a minha esquerda, com o mesmo fim. Voc? cura de um lado, eu curo do outro, disseram elas. Eram l?pidas, frescas, astuciosas, e tinham fama de devorar o cora??o e a vida dos rapazes. Confesso-lhe que fiquei com medo e retra?-me. Elas fizeram tudo, tudo; mas em v?o. Vim de l? de manh?, apaixonado por ambas, sem nenhuma delas, e caindo de fome. Que lhe parece? concluiu Jos? Maria pondo as m?os nos joelhos, e arqueando os bra?os para fora.

? Com efeito…

? N?o lhe digo mais nada; Vossa Reverend?ssima adivinhar? o resto. A minha segunda vida ? assim uma mocidade expansiva e impetuosa, enfreada por uma experi?ncia virtual e tradicional. Vivo como Eurico, atado ao pr?prio cad?ver…

N?o, a compara??o n?o ? boa. Como lhe parece que vivo?

? Sou pouco imaginoso. Suponho que vive assim como um p?ssaro, batendo as asas e amarrado pelos p?s…

? Justamente. Pouco imaginoso? Achou a f?rmula; ? isso mesmo. Um p?ssaro, um grande p?ssaro, batendo as asas, assim…

Jos? Maria ergueu-se, agitando os bra?os, ? maneira de asas. Ao erguer-se, caiu-lhe a bengala no ch?o; mas ele n?o deu por ela. Continuou a agitar os bra?os, em p?, defronte do padre, e a dizer que era isso mesmo, um p?ssaro, um grande p?ssaro… De cada vez que batia os bra?os nas coxas, levantava os calcanhares, dando ao corpo uma cad?ncia de movimentos, e conservava os p?s unidos, para mostrar que os tinha amarrados. Monsenhor aprovava de cabe?a; ao mesmo tempo afiava as orelhas para ver se ouvia passos na escada. Tudo sil?ncio. S? lhe chegavam os rumores de fora: ? carros e carro?as que desciam, quitandeiras apregoando legumes, e um piano da vizinhan?a. Jos? Maria sentou-se finalmente, depois de apanhar a bengala, e continuou nestes termos:

? Um p?ssaro, um grande p?ssaro. Para ver quanto ? feliz a compara??o, basta a aventura que me traz aqui, um caso de consci?ncia, uma paix?o, uma mulher, uma vi?va, D. Clem?ncia. Tem vinte e seis anos, uns olhos que n?o acabam mais, n?o digo no tamanho, mas na express?o, e duas pinceladas de bu?o, que lhe completam a fisionomia. ? filha de um professor jubilado. Os vestidos pretos ficam-lhe t?o bem que eu ?s vezes digo-lhe rindo que ela n?o enviuvou sen?o para andar de luto. Ca?oadas! Conhecemo-nos h? um ano, em casa de um fazendeiro de Cantagalo.

Sa?mos namorados um do outro. J? sei o que me vai perguntar: por que ? que n?o nos casamos, sendo ambos livres…

? Sim, senhor.

? Mas, homem de Deus! ? essa justamente a mat?ria da minha aventura. Somos livres, gostamos um do outro, e n?o nos casamos: tal ? a situa??o tenebrosa que venho expor a Vossa Reverend?ssima, e que a sua teologia ou o que quer que seja, explicar?, se puder. Voltamos para a Corte namorados. Clem?ncia morava com o velho pai, e um irm?o empregado no com?rcio; relacionei-me com ambos, e comecei a freq?entar a casa, em Mata-cavalos. Olhos, apertos de m?o, palavras soltas, outras ligadas, uma frase, duas frases, e est?vamos amados e confessados. Uma noite, no patamar da escada, trocamos o primeiro beijo… Perdoe estas cousas, monsenhor; fa?a de conta que me est? ouvindo de confiss?o. Nem eu lhe digo isto sen?o para acrescentar que sa? dali tonto, desvairado, com a imagem de Clem?ncia na cabe?a e o sabor do beijo na boca. Errei cerca de duas horas, planeando uma vida ?nica; determinei pedir-lhe a m?o no fim da semana, e casar da? a um m?s.

Cheguei ?s derradeiras min?cias, cheguei a redigir e ornar de cabe?a as cartas de participa??o. Entrei em casa depois de meia-noite, e toda essa fantasmagoria voou, como as muta??es ? vista nas antigas pe?as de teatro. Veja se adivinha como.

? N?o alcan?o…

? Considerei, no momento de despir o colete, que o amor podia acabar depressa; tem-se visto algumas vezes. Ao descal?ar as botas, lembrou-me cousa pior: ? podia ficar o fastio. Conclu? a toilette de dormir, acendi um cigarro, e, reclinado no canap?, pensei que o costume, a conviv?ncia, podia salvar tudo; mas, logo depois, adverti que as duas ?ndoles podiam ser incompat?veis; e que fazer com duas ?ndoles incompat?veis e insepar?veis? Mas, enfim, dei de barato tudo isso, porque a paix?o era grande, violenta; considerei-me casado, com uma linda criancinha… Uma? duas, seis, oito; podiam vir oito, podiam vir dez; algumas aleijadas. Tamb?m podia vir uma crise, duas crises, falta de dinheiro, pen?ria, doen?as; podia vir alguma dessas afei??es esp?rias que perturbam a paz dom?stica… Considerei tudo e conclu? que o melhor era n?o casar. O que n?o lhe posso contar ? o meu desespero; faltam-me express?es para lhe pintar o que padeci nessa noite… Deixa-me fumar outro cigarro? N?o esperou resposta, fez o cigarro, e acendeu-o. Monsenhor n?o podia deixar de admirar-lhe a bela cabe?a, no meio do desalinho pr?prio do estado; ao mesmo tempo notou que ele falava em termos polidos, e, que apesar dos rompantes m?rbidos, tinha maneiras. Quem diabo podia ser esse homem? Jos? Maria continuou a hist?ria, dizendo que deixou de ir ? casa de Clem?ncia, durante seis dias, mas n?o resistiu ?s cartas e ?s l?grimas. No fim de uma semana correu para l?, e confessou-lhe tudo, tudo. Ela ouviu-o com muito interesse, e quis saber o que era preciso para acabar com tantas cismas, que prova de amor queria que ela lhe desse. ? A resposta de Jos? Maria foi uma pergunta.

? Est? disposta a fazer-me um grande sacrif?cio? disse-lhe eu. Clem?ncia jurou que sim. ?Pois bem, rompa com tudo, fam?lia e sociedade; venha morar comigo; casamo-nos depois desse noviciado.? Compreendo que Vossa Reverend?ssima arregale os olhos. Os dela encheram-se de l?grimas; mas, apesar de humilhada, aceitou tudo. Vamos; confesse que sou um monstro.

? N?o, senhor…

? Como n?o? Sou um monstro. Clem?ncia veio para minha casa, e n?o imagina as festas com que a recebi. ?Deixo tudo, disse-me ela; voc? ? para mim o universo.?

Eu beijei-lhe os p?s, beijei-lhe os tac?es dos sapatos. N?o imagina o meu contentamento. No dia seguinte, recebi uma carta tarjada de preto; era a not?cia da morte de um tio meu, em Santa Ana do Livramento, deixando-me vinte mil contos. Fiquei fulminado. ?Entendo, disse a Clem?ncia, voc? sacrificou tudo, porque tinha not?cia da heran?a.? Desta vez, Clem?ncia n?o chorou, pegou em si e saiu. Fui atr?s dela, envergonhado, pedi-lhe perd?o; ela resistiu. Um dia, dous dias, tr?s dias, foi tudo v?o; Clem?ncia n?o cedia nada, n?o falava sequer.

Ent?o declarei-lhe que me mataria; comprei um rev?lver, fui ter com ela, e apresentei-lho: ? este.

Monsenhor Caldas empalideceu. Jos? Maria mostrou-lhe o rev?lver, durante alguns segundos, tornou a met?-lo na algibeira, e continuou:

? Cheguei a dar um tiro. Ela, assustada, desarmou-me e perdoou-me. Ajustamos precipitar o casamento, e, pela minha parte, impus uma condi??o: doar os vinte mil contos ? Biblioteca Nacional. Clem?ncia atirou-se-me aos bra?os, e aprovou-me com um beijo. Dei os vinte mil contos. H? de ter lido nos jornais…

Tr?s semanas depois casamo-nos. Vossa Reverend?ssima respira como quem chegou ao fim. Qual! Agora ? que chegamos ao tr?gico. O que posso fazer ? abreviar umas particularidades e suprimir outras; restrinjo-me a Clem?ncia. N?o lhe falo de outras emo??es truncadas, que s?o todas as minhas, abortos de prazer, planos que se esgar?am no ar, nem das ilus?es de saia rota, nem do tal p?ssaro… pl?s… pl?s… pl?s…

E, de um salto, Jos? Maria ficou outra vez de p?, agitando os bra?os, e dando ao corpo uma cad?ncia. Monsenhor Caldas come?ou a suar frio. No fim de alguns segundos, Jos? Maria parou, sentou-se, e reatou a narra??o, agora mais difusa, mais derramada, evidentemente mais delirante. Contava os sustos em que vivia, desgostos e desconfian?as. N?o podia comer um figo ?s dentadas, como outrora; o receio do bicho diminu?a-lhe o sabor. N?o cria nas caras alegres da gente que ia pela rua: preocupa??es, desejos, ?dios, tristezas, outras cousas, iam dissimuladas por umas tr?s quartas partes delas. Vivia a temer um filho cego ou surdo-mudo, ou tuberculoso, ou assassino, etc. N?o conseguia dar um jantar que n?o ficasse triste logo depois da sopa, pela id?ia de que uma palavra sua, um gesto da mulher, qualquer falta de servi?o podia sugerir o epigrama digestivo, na rua, debaixo de um lampi?o. A experi?ncia dera-lhe o terror de ser empulhado.

Confessava ao padre que, realmente, n?o tinha at? agora lucrado nada; ao contr?rio, perdera at?, porque fora levado ao sangue… Ia contar-lhe o caso do sangue. Na v?spera, deitara-se cedo, e sonhou… Com quem pensava o padre que ele sonhou?

? N?o atino…

? Sonhei que o Diabo lia-me o Evangelho. Chegando ao ponto em que Jesus fala dos l?rios do campo, o Diabo colheu alguns e deu-mos. ?Toma, disse-me ele; s?o os l?rios da Escritura; segundo ouviste, nem Salom?o em toda a pompa, pode ombrear com eles. Salom?o ? a sapi?ncia. Sabes o que s?o estes l?rios, Jos?? S?o os teus vinte anos.? Fitei-os encantado; eram lindos como n?o imagina. O Diabo pegou deles, cheirou-os e disse-me que os cheirasse tamb?m. N?o lhe digo nada; no momento de os chegar ao nariz, vi sair de dentro um r?ptil fedorento e torpe, dei um grito, e arrojei para longe as flores. Ent?o, o Diabo, escancarando uma formid?vel gargalhada: ?Jos? Maria, s?o os teus vinte anos.? Era uma gargalhada assim: ? c?, c?, c?, c?, c?…

Jos? Maria ria ? solta, ria de um modo estridente e diab?lico. De repente, parou; levantou-se, e contou que, t?o depressa abriu os olhos, como viu a mulher diante dele, aflita e desgrenhada. Os olhos de Clem?ncia eram doces, mas ele disse-lhe que os olhos doces tamb?m fazem mal. Ela arrojou-se-lhe aos p?s…

Neste ponto a fisionomia de Jos? Maria estava t?o transtornada que o padre, tamb?m de p?, come?ou a recuar, tr?mulo e p?lido. ?N?o, miser?vel! n?o! tu n?o me fugir?s!? bradava Jos? Maria investindo para ele. Tinha os olhos esbugalhados, as t?mporas latejantes; o padre ia recuando… recuando… Pela escada acima ouvia-se um rumor de espadas e de p?s.

 

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Fonte: Machado de Assis, Joaquim Maria. ?A segunda vida?. In: Obra Completa.

Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1994. v. 2.

 



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