Revista LitCult – Vol.8- 1. semestre 2015



 A INTERNET COMO UM NOVO MURO: A POPULARIZAÇÃO SEM GRAFITE DA OBRA DE PAULO LEMINSKI – Patricia Maria dos Santos Santana





Patricia Maria dos Santos Santana

 

Doutoranda em Literatura Comparada – UFRJ

 

 

 

Currículo: Patricia Maria dos Santos Santana é doutoranda em Literatura Comparada pela UFRJ e bolsista da CAPES. Lançou três livros de crítica literária e publicou diversos artigos científicos em renomadas revistas nacionais.

 

Resumo: Paulo Leminski tornou-se um dos escritores mais lidos da Era Digital.  Seus poemas rápidos encaixam-se com facilidade na comunicação breve do Twitter e do Facebook.  É a Internet possibilitando a popularização de obras e de escritores que antes somente transitavam num circuito mais privado. Sinais de um novo tempo.

 

 

Palavras-chave: Internet. Poesia. Popularização. Paulo Leminski.

 

Abstract: Paulo Leminski became one of the most reading writers of the Digital Age. His fast poems easily fit in the brief Twitter and Facebook ways of communication. It is Internet giving opportunities to the popularization of works and writers that used to be in a private space. These are signs of a new time.

 

Key Words: Internet. Poetry. Popularization. Paulo Leminski.

 

 

 

A INTERNET COMO UM NOVO MURO: A POPULARIZAÇÃO

SEM GRAFITE DA OBRA DE PAULO LEMINSKI

 

           

Patricia Maria dos Santos Santana

 

Doutoranda em Literatura Comparada – UFRJ

 

 

 

 

                                                         O mundo aparece assim como um complicado tecido de eventos, no qual conexões de diferentes tipos se alternam, se sobrepõem ou se combinam e, por meio disso, determinam a textura do todo.

 

(Heisenberg)

 

 

Introdução

 

Na década de oitenta, o escritor Paulo Leminski alegava que ao grafitar em Curitiba, sua cidade natal, ele podia ter um grande número de leitores para sua obra e pensamento. Afirmava que numa esquina bem movimentada, cerca de quinze mil pessoas por dia podiam ler um grafite. Perguntava-se, então: “Qual poeta no Brasil conseguiria tantos leitores em livros?”. Por ironia da vida, Leminski também conseguiu tornar-se bastante lido mais tarde, já falecido, sem precisar utilizar seus grafites capazes de chamar a atenção dos mais desavisados. Ele tornou-se um dos autores mais lidos noutro forte veículo de expressão, mais contemporâneo, menos underground que um muro e igualmente radical: a Internet. Leminski mostra-se, apesar de morto, mais vivo que nunca.

É um traço cultural da era pós-moderna. A sociedade contemporânea passa por uma hibridização entre práticas tradicionais e digitais. A Internet ganhou ênfase nos rumos que ditam os comportamentos e gostos sociais. Uma mistura que fez com que todas as áreas e níveis da sociedade contemporânea fossem atingidos e, assim, a Literatura, devido a sua relevância social, não poderia ficar imune ao processo. É algo tão intenso que Coscarelli (2009) mencionou que o digital está impregnado em nós, pois vivemos, somos e fazemos o digital… Isso faz parte de nós, cidadãos inseridos no mundo contemporâneo. E tudo isso abre caminho para que as práticas tradicionais se reinventem. Como as novas gerações de leitores são fortes usuárias da Internet e dos recursos por ela disponibilizados, ficou mais fácil divulgar no heterogêneo cenário comunicacional da rede. Ademais, no universo da Web, os leitores não são espectadores passivos. Eles atuam como coprodutores de Cultura nesse momento onde tudo possibilita gerar um compartilhamento da parte do público. Esse fenômeno ocorre porque, como apontou Jenkins (2009), nessa nova era os consumidores estão reivindicando o direito de participar da Cultura, sob suas próprias condições, quando e onde desejam. Apropriam-se disso porque as redes sociais viabilizam essa enorme divulgação de autores, poemas, romances, etc., uma vez que quem lê seus autores prediletos facilmente consegue postar trechos de suas obras na rede. Devido a este momento cultural específico, pesquisas apontam que Leminski tornou-se, juntamente com outros autores (como Clarice Lispector, por exemplo), um dos grandes nomes da atualidade. Paradoxalmente, um escritor da geração mimeógrafo, geração de escritores que nos anos oitenta compreendia um número seleto de autores que escreviam para um também seleto grupo de leitores, torna-se um dos nomes mais lidos atualmente por conta da fama que seus poemas e aforismos receberam na Web.

 

Eu queria tanto

ser um poeta maldito

a massa sofrendo

enquanto eu profundo medito

 

eu queria tanto

ser um poeta social

rosto queimado

pelo hálito das multidões

 

em vez

olha eu aqui

pondo sal

nesta sopa rala

que mal vai dar para dois.

 

(LEMINSKI, 2013, p. 401)

A sopa de Leminski, há tempos, já engrossou.

 

A poesia leminskiana e o novo leitor

Com a facilidade de disseminação que a Internet possui não é difícil ver escritores que alcançam a fama com rapidez, despertando em seus leitores a vontade de buscar por determinado livro ou até mesmo mais trabalhos daquele autor.  Hoje em dia, as editoras nacionais têm no Facebook ou no YouTube suas maiores formas de divulgação de lançamentos. Bem ou mal, a Internet propaga a leitura. E, no caso específico de Leminski, sua literatura tem o poder de cativar novos públicos com facilidade. Foi justamente por intermédio de sua popularidade nas redes sociais que uma conceituada editora dedicou a Leminski uma série de livros em forma de coletânea. Um fato jamais ocorrido na obra do autor anteriormente. Um fenômeno motivado pela ajuda, mesmo que indireta, dos usuários das redes sociais, leitores ativos, coparticipantes, que não apresentam medo de percorrer novos campos.  Como nos diz Roger Chartier (1998), o leitor é um verdadeiro caçador que percorre terras alheias. Desbravando novas terras, esse leitor pisou em terras leminskianas, abrindo-as ao mundo e tornando Leminski mais pulsante e vivo entre nós, fazendo-nos lembrar de seu poema “Sintonia para pressa e presságio”, onde o poeta nos diz:

 

Escrevia no espaço

Hoje, grafo no tempo,

na pele, na palma, na pétala,

luz do momento.

(…)

 

(LEMINSKI, 2013, p. 251)

 

Fazendo uma leitura do citado poema, poderíamos ironicamente afirmar que Leminski parecia entender o que estava reservado para ele no futuro. Sintonizado ao presságio do título, sentia que não escreveria mais no espaço de um muro, pois estaria para sempre escrito no infinito do tempo e na alma de todos, graças ao poder de certa força arrebatadora do momento, uma luz contemporânea chamada Internet. A poesia de Leminski tornou-se essencial na atualidade no que tange essa mistura bem-vinda do modo de composição de seu trabalho, numa escrita híbrida, cheia de oralidade, contaminada com um falar e pensar pulsantes, fragmentando ideias, criando rotulações para essa vida rápida na qual estamos inseridos. Assim, sua poesia cai no gosto do público por ser breve, rápida, cabendo direitinho nos caracteres do Twitter e nos quick posts do Facebook.

Heloisa Buarque de Holanda (1998) menciona que mesmo considerando um aquecimento do mercado de poesia, não seria possível afirmar que a facilidade de sua publicação corresponda também a uma facilidade similar no escoamento e circulação dessa produção. De todos os gêneros artísticos, a poesia é o que está mais alijado do mercado. Esse alijamento se traduz em escassez de leitores, confinando quase que fatalmente o público leitor de poesia aos próprios poetas e simpatizantes. Com isso, temos mais um ponto a favor de Leminski. Hoje, seus poemas tornaram-se tão admiráveis que o autor é líder em vendas. Fato altamente rentável às editoras que o publicam.

Não podemos nos esquecer de que nesse novo tempo de Internet, os fragmentos parecem falar pelo todo e nos proporcionam outras possibilidades de contemplação de leitura. Em um momento onde a leitura é mais dinâmica e bastante fragmentada, não é difícil observar também pseudoleitores que afirmam ter lido obras de determinados autores sem nunca, de fato, terem lido sequer um livro desses autores por completo. Na facilidade da Internet que permite o colar, salvar, recortar, nós observamos uma falsa intimidade entre leitores e obras. Todavia, estudiosos depositam confiança nessa relação metonimística, digamos assim. Alegam que ocorreu nessa nova era o aparecimento de um novo perfil de leitor e esta situação é bem-vinda, pois são leitores que conseguem fazer diversas atividades num mesmo tempo, atendendo atuais demandas modernas.  Beiguelman afirma que

 

Celulares e PDAS remetem, acima de tudo, a situações em que o indivíduo está sempre envolvido em mais de uma atividade (dirigindo e falando, por exemplo), interagindo com mais de um dispositivo e desempenhando tarefas múltiplas e não correlatas (2003, p. 79).

 

 

Lucia Santaella (2003) menciona que o leitor virtual desenvolveu um sexto sentido conectado ao clique do mouse e quanto maior a interatividade, mais profunda será a experiência de imersão do leitor. O leitor pós-moderno, está acostumado a toneladas de informações sobre ele, mas não se achata com elas, uma vez que é um indivíduo acostumado com a rapidez dessas informações.

 

Na era do efêmero

Inegavelmente, a Internet é um marco no modo de ler, na medida em que há mais acesso aos livros. A leitura e o leitor se modificaram e as novas tecnologias dinamizam e potencializam o processo de consulta a obras.  Temos economia de tempo, socialização da consulta e da pesquisa. O acesso tornou-se mais fácil. Os textos agora permitem intervenções, alterações, colaborações e, inclusive, dúvidas quanto à autoria. O ciberespaço é interativo, efêmero, reciclável, mediado, fluído, líquido…  A Internet age, então, como uma alavanca para o bem ou para o mal. Numa nova era obcecada por e-books e pelos textos rápidos que cabem nos posts do Facebook, Twitter, do extinto Orkut e de outras redes sociais, Leminski caiu no gosto popular. A existência de comunidades que indicam livros, autores, séries, sagas e trilogias e que também disponibilizam o download rápido de diversos títulos, veio agitar mais o mundo literário. E quando um e-book apresenta-se tão caro quanto um livro físico, rapidamente aparece um leitor interessado em disponibilizar a mesma obra de forma digitalizada, ou seja, copiada através de scanner.

A Internet também reorganiza o clássico e o novo. Rearruma o que passou com o que acabou de surgir. Dá um sentido democrático à literatura garantindo o acesso a autores que fazem parte do cânone, que não fazem parte do cânone, que se tornaram celebridades atuais do dia para a noite e autores em fase de divulgação de seus primeiros trabalhos. Ela parece lutar para tirar das mãos de um seleto grupo o poder de conceituar a chamada “literatura de qualidade”, num momento onde tudo pode gerar um texto literário e todos parecem fazer literatura.

A Modernidade Líquida definida por Bauman (2003) nos permite apreciar que mudanças significativas na vida da sociedade que se cristalizaram por séculos e décadas, agora não duram mais que meses ou semanas.  Vivemos numa sociedade marcada por sentimentos de mobilidade e individualidade, do ponto de vista das relações sociais, comportamentos individuais, hábitos de consumo, vida amorosa… A impressão que se tem é que a estabilidade e a solidez perderam seus sentidos, sendo substituídas pela autonomia e pela necessidade de renovação e reorganização. Tudo é líquido, leve e não pode ser ‘preso pelas mãos’.

Nascimento nos mostra que temos na atualidade um sujeito descentralizado e

 

relacionado a uma gama de transformações culturais emergidas no âmbito da modernidade, a constituir um tema bastante atual e amplo, discutido em diversas áreas do conhecimento, entre elas, a literatura. A noção de sujeito centrado, dotado de razão e consciência, conhecido como sujeito cartesiano, referência às discussões filosóficas de Descartes, aos poucos, vai dando lugar a uma concepção mais social do sujeito, uma exigência da complexidade que caracteriza a sociedade moderna (NASCIMENTO, 2011, p. 541).

 

Na observação incessante de si e do mundo, no encontro com o que está fora tentando entender o que há por dentro, Leminski se confessa e, ao mesmo tempo, se torna porta-voz de diversos homens atuais. Isto tornou seu trabalho extremamente relevante na atualidade, fazendo de Leminski o grande representante poético da era virtual pelas telas dos computadores brasileiros. Com poucas linhas Leminski consegue fazer com que o leitor sinta, viaje, pense. A escrita é leve, porém violenta, tornando difícil colocar em palavras o impacto que essa leitura causa. São sentimentos conflitantes, mas que, paradoxalmente, se encaixam com perfeição. Leituras que falam sobre o amor, sobre a vida, sobre medos, sobre alegrias e tristezas. Fala sobre assuntos comuns, temas corriqueiros, mas que ganham alma e abordagens diferentes nas mãos do poeta marginal. Seus poemas curtos são precisos na descrição, mas refletem a profunda desestabilidade do sujeito contemporâneo:

 

Hamburger preconiza sobre a existência, na modernidade, de “um eu que se tornou fluido e volátil”, ratificando a questão da identidade descontínua. Essa crise do sujeito relativizado concorre, muita vez, para o projeto de uma “poesia objetiva”, formulada por uma subjetividade cravada, como dissemos, na alteridade. Sintomático dessa perda de estabilização do sujeito é também a opção pelo poema curto que, filiado ao prosaico, ao popular, ao humor, buscados no haicai japonês, corrobora também o parentesco com Oswald de Andrade. Em Leminski, tais poemas tendem a valorizar o fragmentário e o aparentemente trivial, a constituírem formas de captar instantes de um mundo objetivo e exterior, onde o eu – lírico encontra-se, muita vez, ausente. A elisão do sujeito expressa uma certa objetividade a permitir que as coisas possam existir, sem interferência e /ou olhares particulares.

(…)

Assim, o sujeito, quando sente esboroar sua integridade, assumindo-se fragmentado, se afugenta na própria linguagem, fazendo dela não mais um espaço onde tradicionalmente se pronuncia a si e/ou se confessa, mas onde se encontra com o que está “fora”, revelando a postura de um sujeito que observa a si e aos outros, tanta vez, a esgarçar as fronteiras entre o lírico e o narrativo (…) (NASCIMENTO, 2011, p. 544-545)

 

Leminski encontra-se e se perde. Está presente e, ao mesmo tempo, ausente. Fala de tudo e de nada.  É ele mesmo, é todo mundo e não é ninguém. Nos temas banais sublima as dores do mundo no mesmo momento que debocha delas. Leminski escorrega, torna-se fluído, líquido. Talvez assim possamos melhor entender seu sucesso nesse momento.

 

Grafitando nas telas dos computadores: o novo muro

A poesia de Leminski é a do fast thinker. Fast como a WebFast como a demanda do mundo atual. Escreveu seus poemas numa época onde não havia Internet, tampouco Facebook, mas de forma surpreendente, sua poesia se encaixa e se completa nesse espaço que contempla o formato minimalista, sucinto de falar das coisas que nos cercam. Os poemas de Leminski foram facilmente aceitos pelos usuários da Web porque são breves e carregam um pouco da inquietação que reflete a angústia do tempo atual. Poemas que traduzem a ideia de liberdade que, mais do que uma ambição na época em que foram escritos, época da ditadura militar brasileira, se tornou uma constante e indispensável exigência contemporânea, pois alimenta as inquietações pós-modernas. Poemas criados pelo viés dessa liberdade individual como condição e demanda, mas que não quer demarcar limites.  Poemas que enfatizam determinadas transformações nas formas de conduzirmos nossas vidas para colocar em questão algumas exigências dos espaços e tempos que habitamos e que nos habitam.

As frases rápidas de Leminski, carregadas de musicalidade e sentidos dão um nó no pensamento lógico cartesiano. Em 2014, completam-se 70 anos de nascimento do autor.  Será que, de fato, ele gostaria de ser classificado como cânone?

 

nunca quis ser

freguês distinto

pedindo isso e aquilo

vinho tinto

 

obrigado

hasta la vista

queria entrar

com os dois pés

 

no peito dos porteiros

dizendo pro espelho

— cala a boca

e pro relógio

— abaixo os ponteiros

(LEMINSKI, 2013, p. 61)

 

Difícil imaginar o que Leminski diria de sua fama atual e da proporção que seu trabalho ganhou no mundo virtual, local onde sua poesia se encaixa e desfila com desenvoltura, fazendo da Internet o seu muro curitibano. Com três reimpressões, a obra Toda Poesia se encaminha para vender 21 mil exemplares. Muito desse sucesso deve-se ao gosto popular no qual sua poesia caiu. Leminski criou uma poesia que teve sucesso por manter o aspecto lúdico do confronto com a linguagem. E essa característica sempre foi muito apreciada por seus leitores, especialmente os jovens, para os quais Leminski nunca deixou de ser pop. Sua obra é uma feliz combinação do erudito e do popular misturando a liquidez de nossa era. Brinda a celebração de liberdade combinada à necessidade de rebelião. Mexe na angústia pós-moderna.

Através do Twitter e do Facebook, quem está conectado sente-se livre para postar suas preferências literárias. Como Leminski não exige pré-requisito para ser lido, seus poemas (ou parte deles) foram facilmente compartilhados entre os internautas:

 

Os serviços propiciados pela rede nos trouxeram uma nova realidade: navegar na Internet tornou-se a mais moderna forma de aquisição de informações, sobre praticamente qualquer assunto, já que um usuário tem acesso a uma imensa quantidade de dados, espalhados por toda a rede, de forma prática e amigável. Como muitos endereços estão oferecendo diversos serviços gratuitamente, a informação está cada vez mais acessível (SILVA, 2007).

 

Dos quinze sites mais utilizados para download de livros na Internet, treze possuem obras completas de Leminski.  Nos cinco maiores sites de busca da atualidade (Google, Yahoo, Bing, Ask.com e HAO 123) encontramos disponibilizados para download diversos livros de Paulo Leminski em pdf como, por exemplo, Não fosse isso e era menos, Catatau, Distraídos venceremos, Caprichos e relaxos, Vida, Agora é que são elas, 40 clics em Curitiba, Gozo fabuloso, Um milhão de coisas, La vie em close, Metamorfose, Polonaises. Livros que chegam a ser vendidos com três dígitos em livrarias convencionais devido à raridade das obras. A obra Toda poesia, uma coletânea  das obras completas de poesia do autor, lançada em 2013, também já se encontra disponível em pdf, com suas 421 páginas.

 

Considerações Finais

Achando que o muro fosse a melhor forma de alguém divulgar o próprio trabalho, nos anos 80, perguntava-se Leminski: “Qual poeta no Brasil conseguiria tantos leitores em livros?”. Não sabia, então, que o destino reservaria o poder da Web para ele.

Leminski cabe bem nos 140 caracteres do Twitter, encaixa-se nas postagens do Facebook. Nossos novos muros virtuais. Talvez Leminski agradecesse a mais essa oportunidade de expressão de seu trabalho com um poema:

 

Não discuto
com o destino
o que pintar
eu assino

 

(LEMINSKI, 2013, p. 398-99)

 

Nós, certamente, nos tornamos gratos pela exposição de sua obra aos que antes a ignoravam e por seu merecido culto na atualidade.  O mundo inteiro saiu ganhando.

 

 

 

 

 

Referências  bibliográficas

 

 

 

BAUMAN, Zygmunt. Modernidade Líquida. Trad. Plínio Dentzien. Rio de Janeiro: Zahar, 2003.

 

BEIGUELMAN, Giselle. O livro depois do livro. São Paulo: Peirópolis, 2003.

 

CHARTIER, Roger. A aventura do livro: do leitor ao navegador. Trad. Reginaldo Carmello Corrêa de Moraes. São Paulo: Fundação Editora da UNESP, 1998.

 

COSCARELLI, Carla. “Linkando as ideias dos textos”. In: ARAÚJO, Júlio César e DIEB, Messias (Orgs). Letramentos na Web: gêneros, interação e ensino. Fortaleza: Edições UFC, 2009.

 

HEISENBERG, Werner. A parte e o todo. Trad. Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Contraponto, 2005.

 

HOLLANDA, Heloísa Buarque de. Esses poetas: uma antologia dos anos 90. Rio de Janeiro: Aeroplano Editora, 1998.

 

JENKIS, Henry. Cultura da convergência. Trad. Susana Alexandria. São Paulo: Aleph, 2008.

 

LEMINSKI, Paulo. Toda Poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

 

NASCIMENTO, Leidiane Alves do. “Descentramento do sujeito na poesia de Paulo Leminski”. 2011. II SINALEL. Universidade Federal de Goiás. Disponível em http://sinalel_letras.catalao.ufg.br/up/520/o/40.pdf.  Acesso em 17 de outubro de 2014, às 20h.

 

SANTAELLA, Lucia. Culturas e artes do pós-humano: da cultura das mídias à cibercultura. São Paulo: Paulus, 2003.

 

SILVA, Rafaela Teixeira. “A influência da Internet nos hábitos da leitura”. 2007. Disponível em http://pedagogiaaopedaletra.com/influencia-internet-habitos-leitura  Acesso em 20 de agosto de 2014, às 23h.

 

 

 

Patricia Maria dos Santos Santana é doutoranda em Literatura Comparada pela UFRJ e bolsista da CAPES. Lançou três livros de crítica literária e publicou diversos artigos científicos em renomadas revistas nacionais.

 



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